Segundo os "padrinhos" da inteligência artificial (IA), a tecnologia já supera os humanos em muitas tarefas. Seria pensar uma delas?
Para o neurofisiologista alemão Wolf Singer, diretor emérito do Instituto Max Planck, cérebro e IA não funcionam segundo a mesma lógica. Enquanto os computadores processam informações em etapas sequenciais, com a memória separada do processador, o cérebro funciona de forma oposta: os neurônios se comunicam entre si em uma dinâmica contínua e em oscilações.
"A IA simula certas funções presentes nos sistemas naturais e contorna a falta da dimensão tempo por meio de algoritmos. Mas nos cérebros isso não é simulado, eles naturalmente vivem no tempo, naturalmente têm dinâmica", afirma.
Por esse motivo, ele qualifica como um problema o uso desses modelos para tomadas de decisões complexas. Em fevereiro, o jornal americano Wall Street Journal noticiou que o Pentágono –sede oficial do departamento de defesa dos Estados Unidos– teria utilizado a ferramenta da Anthropic, Claude, na captura de Nicolás Maduro na Venezuela.
Ele diz que "quando você começa a fazer perguntas mais sofisticadas, que dizem respeito a valores, fica problemático", e que é preciso ter conhecimento especializado para usá-los de forma responsável.









