Professor da FGV que participou de debates sobre o tema relata ambiente “razoável e aberto”, com opiniões divergentes mesmo dentro dos painéis; em junho, órgão americano criticou práticas concorrenciais do Brasil e disse que tratamento dado ao Pix é injusto e discriminatório O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que no mês passado criticou práticas concorrenciais do Brasil e disse que o tratamento dado ao Pix é injusto e discriminatório, realizou nesta segunda-feira (6) o primeiro de dois dias de debates sobre o tema. De sete painéis, apenas um abordou o sistema de pagamentos instantâneos capitaneado pelo Banco Central do Brasil. Segundo Gustavo Pessoa, professor da FGV, que depôs pessoalmente em Washington, a defesa do Pix coube a ele e Vinícius Nunes Pinto, executivo brasileiro com experiência na indústria de pagamentos. No painel deles, uma representante do Departamento do Tesouro dos EUA fez uma pergunta, querendo saber como o país poderia se beneficiar de uma eventual integração com o Pix. “O que eu respondi foi que o Pix não é o maior sistema de pagamentos instantâneos do mundo, porque o sistema indiano é quatro vezes maior que o nosso [em volume transacionado], mas que o caso brasileiro é o de maior sucesso, dada a adesão da população e das empresas. Eu disse que a tecnologia veio para ficar, assim como os pagamentos digitais, e que seria interessante para os EUA, que são a maior potência financeira do Ocidente, aprenderem e se adaptarem, se integrarem”, afirmou o pesquisador. Pinto também teria sugerido uma integração entre o Pix e o Fed Now, que está sendo desenvolvido pelo Federal Reserve, o BC dos EUA, que segundo ele são sistemas muito parecidos. Pessoa diz que os depoimentos eram breves, de cinco minutos, mas que o ambiente era “razoável e aberto”, com opiniões divergentes mesmo dentro dos painéis. “Fiquei com a impressão que os representantes do governo americano ali estão fazendo um trabalho técnico, que depois será entregue para os responsáveis, e a gente sabe que será uma decisão final provavelmente política. Mas todo mundo foi ouvido, com direito ao mesmo tempo”. Em sua fala, o professor da FGV ressaltou o que tinha dito na apresentação enviada previamente ao USTR, que o Pix não é discriminatório e que não faz sentido falar em concorrência desleal com as empresas de pagamento americanas. “A emissão de cartões de crédito no Brasil dobrou depois do Pix, em função de inclusão financeira que foi promovida. O Google Pay [carteira digital usada em celulares Android] é o maior iniciador de Pix no Brasil”, comentou. Segundo ele, a designação de Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, que tem potencial para afetar o sistema financeiro brasileiro, não foi abordada em nenhum painel. — Foto: Divulgação/BC
Em audiência no USTR, Tesouro dos EUA perguntou sobre eventual integração com Pix
Professor da FGV que participou de debates sobre o tema relata ambiente “razoável e aberto”, com opiniões divergentes mesmo dentro dos painéis; em junho, órgão americano criticou práticas concorrenciais do Brasil e disse que tratamento dado ao Pix é injusto e discriminatório












