O chefe do governo ligado ao Hamas, Mohammed al-Farra, renunciou ao cargo na manhã desta segunda, disse Ismail Thawabta, diretor-geral do escritório de mídia administrado pelo grupo em Gaza, durante uma coletiva de imprensa. 🔎 A Faixa de Gaza tem sido administrada pelo grupo terrorista desde 2007, quando o Hamas assumiu o poder após confrontos com o Fatah, partido do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, sediado em Ramallah, na Cisjordânia ocupada. Somente os funcionários técnicos devem permanecer nos cargos para evitar um vácuo administrativo, de acordo Thawabta. A medida foi tomada "para aliviar o sofrimento resultante da guerra em curso, o atraso na reconstrução, o cerco contínuo, o fechamento das passagens de fronteira e a recusa do Exército israelense em se retirar", disse ele. Agora no g1 Thawabta também pediu que as partes envolvidas agilizem os trâmites para que o Comitê Nacional para a Administração de Gaza assuma suas funções administrativas definitivamente. Em um comunicado separado, o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, disse que a medida visa eliminar pretextos para a interferência israelense e reafirmou o compromisso do grupo em transferir todas as responsabilidades de governança em Gaza. Leia também: Em meados de junho, facções palestinas reuniram-se com mediadores no Cairo e apresentaram sua proposta para a segunda fase do acordo de cessar-fogo em Gaza. O roteiro, apresentado pelo "Conselho de Paz" liderado pelos EUA, inclui mecanismos para o futuro de Gaza, incluindo reconstrução, desarmamento, retirada israelense e implantação de uma força internacional de paz. Também na segunda-feira, cinco palestinos foram mortos e pelo menos 18 ficaram feridos em ataques israelenses distintos contra pessoas deslocadas e áreas residenciais no sul de Gaza e na Cidade de Gaza, segundo Mahmoud Basal, porta-voz da Defesa Civil em Gaza - também controlada pelo Hamas. Os ataques ocorreram apesar de um acordo de cessar-fogo que entrou em vigor em 10 de outubro de 2025. O Hamas e Israel continuaram a trocar acusações de violação da trégua. Autoridades de saúde sediadas em Gaza informaram nesta segunda que o número de mortos desde o cessar-fogo chegou a 1.072, com 3.463 feridos. Ao todo, o número de mortos em Gaza desde o início do conflito, em outubro de 2023, é de 73.098, com 173.571 feridos. Governo Trump endossa anúncio O Conselho de Paz do presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o comitê encarregado de governar Gaza deve controlar todas as armas em circulação no território. "O princípio fundamental continua sendo uma única autoridade, uma única lei e uma única arma. Isso significa a consolidação de todas as armas sob o controle do NCAG (Comitê Nacional para a Administração de Gaza)", afirmou o conselho em um comunicado divulgado no X (ex-Twitter). O NCAG, atualmente sediado no Cairo, foi criado pelo Conselho de Paz, criado por Trump durante as negociações por um cessar-fogo em Gaza, em outubro de 2025. Decisão é 'simbólica' O cientista político Mkhaimar Abusada explicou à AFP que se trata, antes de tudo, de uma decisão "simbólica" por parte do Hamas. "O problema não é a dissolução do seu comitê governamental, e sim a aceitação de seu desarmamento (...) continua sendo o principal ponto de bloqueio", acrescentou. A primeira fase do cessar-fogo permitiu a libertação dos últimos reféns israelenses mantidos pelo Hamas em troca de palestinos presos por Israel. A passagem para a segunda fase, que deveria prever o desarmamento do Hamas e uma retirada progressiva das forças israelenses de Gaza, está há meses estagnada, e Israel reforçou sua presença no território. Israel descarta o retorno do Hamas ao poder, mas também se opõe, por enquanto, a que a Autoridade Palestina assuma o controle. Hamas e Israel se acusam mutuamente de violar o cessar-fogo.
Hamas deixa governo de Gaza e abre caminho para comitê gestor | G1
Hamas deixa governo de Gaza e propõe comitê gestor técnico para administrar a região, buscando reduzir a interferência de Israel e acelerar a reconstrução local.








