O grupo terrorista Hamas, que controla a parte da Faixa de Gaza não ocupada por Israel, disse nesta segunda-feira (6) que renunciará ao comando do chamado comitê de emergência que conduz o governo civil do território. A medida abre caminho para que um grupo tecnocrático formado por especialistas palestinos assuma o controle administrativo, ainda que não militar, do território.

Isso estava previsto no plano de paz assinado entre as partes em outubro de 2025 e patrocinado por Donald Trump —assim como o desarmamento do grupo, que, entretanto, ainda não estabeleceu um cronograma para entregar suas armas.

Especialistas ouvidos pela Folha avaliam que a decisão do Hamas tem efeito mais simbólico do que prático. A consequência imediata seria o aumento da pressão sobre Israel para que cumpra sua parte do acordo de paz, como a retirada das tropas do território e a entrada de materiais de construção.

"Trata-se de uma manifestação de intenções, cedendo à pressão dos EUA e da comunidade internacional e demonstrando boa vontade em relação ao acordo", diz João Koatz Miragaya, mestre em história pela Universidade de Tel Aviv e assessor do Instituto Brasil-Israel. "Suspeito que o Hamas saiba que Israel não vai cumprir com a sua parte —não por livre e espontânea vontade—, o que também influencia a decisão."