Sindicatos e associações que representam servidores públicos estão em disputa por causa de um projeto de lei que cria regras sobre como devem funcionar as negociações trabalhistas entre os funcionários e a administração pública no país. Hoje não há normas para temas como dissídio ou greve no setor.

A proposta legislativa, que regulamenta alguns temas no trabalho de servidores, chegou ao Congresso Nacional neste ano, e o relatório foi enviado a plenário em 1º de julho. Um parágrafo estabelece que associações de classe só poderão participar das negociações com a administração pública "no caso de inexistência de sindicatos legalmente constituídos".

No texto substitutivo do relator André Figueiredo (PDT-CE), houve uma mudança: os sindicatos poderão convidar associações para participar de negociações, desde que elas tenham mais de dez anos de existência e que 25% de todos os servidores sejam associados.

As associações afirmam que estão sendo excluídas de um processo de decisão que afeta os associados, e centrais sindicais defendem que apenas sindicatos têm legitimidade constitucional para negociar.

As associações de servidores são mais tradicionais do que os sindicatos. Os funcionários só tiveram permissão para se sindicalizar a partir da Constituição de 1988, e as associações já eram funcionais havia décadas.