Acesso adequado subiu de 49% para 74%, mas fica longe da promessa de universalização 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Alunos usam computadores em escola de Uberlândia — Foto: Divulgação/Araípedes Luz/Prefeitura de Uberlândia A pandemia tornou evidente a falta que faz ao Brasil ter escolas com conexões robustas à internet. É verdade que o fracasso do ensino remoto — cujo preço o país pagará durante anos — se deve sobretudo ao tempo exagerado em que as crianças foram mantidas longe das salas de aula. Mas não há dúvida de que, se as conexões on-line fossem melhores, as perdas teriam sido menores. Por isso o governo federal estabeleceu na ocasião a meta de conectar toda a rede escolar até o final deste ano. Houve avanço, mas já está claro que a meta não será cumprida. De acordo com nota técnica da Coalizão Tec Educação, um grupo formado por cinco entidades da sociedade civil, a proporção de escolas com serviço de internet na velocidade adequada aumentou de 49,2% para 74,1% entre 2023 e 2025. A parcela das que têm a quantidade mínima de computadores recomendada para um ensino eficaz — um para cada dez alunos — subiu de 30% para 39%. Ambos os indicadores estão muito longe do ideal. O descompasso entre promessa e realidade resulta da falta de coordenação entre os agentes do programa estabelecido pelo Ministério da Educação (MEC). Num ambiente de gestão deficiente, florescem desníveis regionais. Das 73 redes estaduais e municipais que concentram metade dos alunos do país, apenas 29 têm mais de 80% das escolas com os níveis adequados de conexão digital. Destacam-se os estados de Rio Grande do Sul e Mato Grosso, capitais como Natal, João Pessoa, Recife, Vitória, Belo Horizonte e Porto Alegre, municípios como Uberlândia (MG), Campinas (SP), Guarulhos (SP), Sorocaba (SP), São José dos Campos (SP), São Bernardo (SP), Santo André (SP), Londrina (PR) e Joinville (SC). Apesar dos bolsões bem atendidos, lacunas se estendem por vastas regiões. É o caso de todo o Norte, grande parte do Nordeste e áreas consideráveis do Sudeste. O MEC precisa ser mais ativo na coordenação entre governo federal, estados e municípios, para que todas as 140 mil escolas alcancem o nível necessário de acesso às ferramentas digitais. A cada ano sem que estejam devidamente equipadas e conectadas, estudantes se formam com poucas chances de obter êxito no ensino superior ou no mercado de trabalho. Outra frente a atacar é a necessidade de qualificar os professores para atuar no universo digital. De nada adiantará haver equipamento se o professor não souber aproveitá-lo. Uma decisão acertada foi, no leilão do 5G para operadores de celular, incluir num dos lotes licitados a obrigatoriedade de levar a internet a escolas, principalmente no Norte e em áreas rurais, onde é preciso fazer o acesso por satélite. A nota da Tec Educação faz referência a “questões burocráticas” que travaram o acesso a fontes de financiamento. A principal delas é o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações. Criado em 2000, apenas 20 anos depois foi aprovado no Congresso seu uso na conectividade das escolas públicas. Não é coincidência que haja tanto atraso. Numa política tão estratégica e complexa, a falta de coordenação é fatal.
Deficiência na coordenação do MEC prejudica conexão de escolas à internet
Acesso adequado subiu de 49% para 74%, mas fica longe da promessa de universalização










