Um estádio transformado em abrigo para vítimas: em La Guaira, a ONU administra um acampamento para pessoas deslocadas pelos terremotos que atingiram a Venezuela, onde muitas famílias com crianças estão aglomeradas desde 24 de junho. Além da ajuda material, uma das prioridades das organizações humanitárias agora é oferecer apoio psicológico às crianças afetadas pela tragédia.
Andreina, mãe de três filhos, observa a caçula de cinco anos, entretida com cordas que encontrou. "Ontem, ela caiu no choro. Ela me disse que estava aliviada por ainda me ter. Ela conheceu uma menina aqui que perdeu a mãe o pai", conta ela, à reportagem da RFI.
"É muito difícil. Soube que meus sobrinhos morreram, mas não tenho coragem de contar à minha filha. O choque seria forte demais para ela suportar agora", completa Andreina.
À sombra de um grande galpão, dezenas de crianças jogam futebol, desenham ou participam de jogos em grupo. Elas são supervisionadas por profissionais da infância, sob a coordenação da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). A entidade estima em 680 mil o número de crianças que precisam de ajuda humanitária no país.
"Há trauma, sim. Percebemos isso nos desenhos delas", explica Johana Gando, psicóloga da ONG venezuelana Fundainil. "Elas desenham famílias e casas. Algumas crianças desabam emocionalmente enquanto desenham, porque o evento traumático vem à tona", indica a profissional.














