Na primeira vez que o jornalista e escritor Kurt Andersen ouviu falar em Donald Trump, ele estava na redação da revista Time, em Nova York, em 1985. Um amigo, o também jornalista Graydon Carter, acabara de voltar de uma entrevista que fizera para um perfil de um espalhafatoso empresário nova-iorquino do ramo imobiliário.

"Ele não era famoso de modo algum", relembra Andersen. "E aí o Graydon me falou sobre ele e sobre tudo que ele era na época —e continua sendo."

Pouco tempo depois, Andersen e Carter deixariam a Time para fundar a revista satírica Spy, que se dedicava a tirar sarro de personalidades da mídia e política americana e da alta sociedade, especialmente a de Nova York. A publicação foi uma das primeiras a retratar Trump com frequência em suas páginas.

"Ele era uma piada local. Ficou mais famoso [depois], mas era uma figura ridícula e perfeita para uma revista satírica nos anos 1980 —bolsa de valores estourando, a ostentação voltou, Nova York está de volta, todas essas coisas da época que ele, à sua maneira, representava", diz Andersen.

Uma das marcas da revista, relembra o jornalista, era sempre se referir aos famosos por um epíteto específico. "Um dos meus favoritos era o do [Henry] Kissinger", diz, sobre o ex-secretário de Estado e homem forte da diplomacia americana por décadas. "A gente chamava ele de 'o criminoso de guerra socialite'. E achávamos engraçado porque sempre nos referíamos a uma pessoa da mesma maneira, e para Trump, escolhemos 'o brucutu de dedo curto'."