À primeira vista, Caracas, a capital da Venezuela localizada entre as montanhas e transformada nos anos 1950 em uma metrópole, opera em normalidade. Não há desabastecimento. Transporte e comércios funcionam como antes. O sinal de internet foi restabelecido.

Mas há pontos onde o impacto brutal dos terremotos que atingiram o país no último dia 24 ficam visíveis, e as vidas impactadas pela tragédia ocupam a capital. Há milhares de pessoas desalojadas pelos tremores morando em parques e nas ruas.

A placa diz: camping. Mas o acampamento no extenso Parque del Este, com 82 hectares e projetado pelo artista e paisagista brasileiro Roberto Burle Marx, virou abrigo para os que perderam suas casas ou parte delas em Caracas.

Ainda nesta sexta (3), ao redor de 2.000 pessoas, entre elas 300 crianças e adolescentes, ainda moravam ali. Recebiam comida, roupas e atendimento de saúde. Há uma clínica móvel prestando atendimento e exames variados —entre eles, o oftalmológico, para os que perderam seus óculos nos terremotos.

O que não há é uma data para voltar à normalidade. "O que precisamos agora é uma casa", diz Kimberlly Paola Torres López, 19, da região caraquenha de El Junquito, enquanto nina a bebê Valentina, filha de uma mulher que está vivendo na barraca ao lado.