Deságios sobre a receita anual a ser recebida pela concessionária ficaram acima de 50% 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Linhas de transmissão de energia : Axia foi a vencedora do leilão da segunda sessão realizado na B3, em São Paulo — Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/07/2026 - 15:38 Axia se destaca em leilão da Aneel com 3 lotes de transmissão A Axia, antiga Eletrobras, foi destaque no leilão da Aneel, adquirindo três dos quatro lotes de linhas de transmissão oferecidos. Com deságios superiores a 50%, a empresa garantiu a construção e manutenção de linhas em São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, totalizando investimentos de R$ 668 milhões. A vitória fortalece sua presença no sistema brasileiro, enquanto o setor busca soluções pragmáticas para segurança energética e tarifas competitivas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Com lances ousados, a Axia (ex-Eletrobras) foi a principal vencedora do leilão de quatro lotes para construção e manutenção de linhas de transmissão de energia localizados nos estados de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que somam somam 61 quilômetros. Dos quatro lotes ofertados, a Axia levou três deles: lotes 8, 9 e 10. O lote 7 teve como vencedor o consórcio Olympus, formado por Alupar e Infra II Investment. O certame foi realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na B3, em São Paulo, nesta sexta. Esses ativos foram devolvidos à União pela empresa MEZ Energia, mas um acordo entre o Ministério das Minas e Energia (MME) e o Tribunal de Contas da União (TCU) permitiu que eles fosse relicitados. A expectativa é de gereção de 4 mil empregos até 2029. A MEZ Energia devolveu os lotes após um processo de caducidade (perda da concessão) aberto pela Aneel por conta de atrasos no cronograma das obras. Dos cinco lotes que arrematou entre 2020 e 2021, a MEZ ficou com apenas um, na região metropolitana de São Paulo. Com o acordo, o TCU confirmou o leilão e determinou à Aneel o ajuste do edital que prevê, entre outros itens, a transferência gratuita aos futuros concessionários dos estudos, licenças ambientais e projetos básicos dos respectivos lotes 7, 8, 9 e 10, que foram oferecidos separadamente. Venceu a empresa que apresentou o maior deságio sobre o valor de receita anual permitida (RAP), que é a remuneração que as empresas concessionárias de transmissão recebem pela prestação do serviço público de transporte de energia. O leilão desta sexta foi a segunda sessão do primeiro leilão de transmissão do ano. A primeira foi realizada em março, com cinco lotes ofertados e investimentos de R$ 3,3 bilhões. Lances ousados e deságios de mais de 50% No lote 10, em Mato Grosso, a receita anual permitida (RAP) máxima era de R$ 49,3 milhões. A Axia fez lance de R$ 23,7 milhões, deságio de 51,84%. No lote 9, em São Paulo, a RAP era de R$ 37,9 milhões e a oferta foi de R$ 16,2 milhões, deságio de 57,24%. Já no lote 8, em Mato Grosso do Sul, com maior número de propostas (seis), a RAP era de R$ 26,4 milhões e a Axia fez lance de R$ 10,8 milhões, deságio de 59,04%. No lote 7, também em São Paulo, o consórcio Olympus fez lance de RAP de R$ 96 milhões enquanto o valor estabelecido peloedital erade R$ 201 milhões. O deságio foi de 52%. Com a vitória, a Axia amplia sua presença no sistema de transmissão brasileiro. Os três empreendimentos demandarão investimentos de R$ 668 milhões e vão acrescentar, no total, uma receita de R$ 50,798 milhões após a entrada em operação comercial. Atualmente, a Axia opera cerca de 74 mil quilômetros de linhas de transmissão, o equivalente a 37% da extensão total do Sistema Interligado Nacional (SIN). "Avaliamos cuidadosamente todas as oportunidades e quando identificamos retorno adequado e aderência à nossa metodologia de alocação de capital, nossa presença será competitiva e consistente. Os empreendimentos conquistados ampliam a capacidade do sistema de transmissão de efetivar a transição energética", disse, em nota, Elio Wolff, vice-presidente executivo da Axia Energia. Mercado pragmático O advogado Wagner Ferreira, especialista no setor de energia e sócio do Caputo, Bastos e Serra Advogados observa que o mercado é pragmático e gosta de soluções onde a sociedade sai ganhando. — O setor elétrico exige dos tomadores de decisão uma visão cada vez mais pragmática e flexível para resolver as questões setoriais, para buscar um solução possível que traga segurança energética e tarifas mais módicas. Essa relicitação revela justamente isso: como reduzir os riscos na segurança e garantir o melhor arranjo jurídico para atender o consumo — explica. Para Diogo Nebias, advogado especialista em contratos de infraestrutura e sócio do Panucci, Severo e Nebias Advogados, os leilões de linhas de transmissão continuam a atrair interessados, mesmo num cenário de juros mais altos. Um dos fatores que atrai os participantes, diz, é a previsibilidade da receita (RAP). Ainda assim, os juros altos impactam na captação de recursos para o investimento porque reduzem o retorno da concessionária. Portanto, diz ele, há menos players dispostos a investir em novos projetos. — O sistema elétrico depende da expansão constante das linhas de transmissão. Esta foi a relicitação de quatro lotes que não foram concluídos. Ou seja, esses projetos já eram necessários há cinco ou seis anos e não foram concluídos e, finalizá-los, tornou-se essencial — diz. Ele observa que o setor elétrico brasileiro é maduro, mas ainda há desafios a serem superados, principalmente regulatórios e de modernização de operação do Sistema Interligado Nacional. Do ponto de vista regulatório, por exemplo, nos últimos anos, houve fortes incentivos para o desenvolvimento de fontes renováveis que hoje enfrentam o "curtailment" (interrupção forçada na geração de energia de uma usina) e distribuidoras com contratos de concessão de longo prazo com diminuição gradual de receitas.
Axia (ex-Eletrobras) leva três dos quatro lotes ofertados no leilão de transmissão da Aneel
Deságios sobre a receita anual a ser recebida pela concessionária ficaram acima de 50%












