O maior ativo, no entanto, foi vencido pelo Consórcio Olympus XX, formado pela Alupar e pela Infra 2 Investment, da Perfin A Axia Energia, antiga Eletrobras, ficou com três dos quatro lotes do leilão de transmissão encerrado nesta sexta-feira na B3, em São Paulo. O maior ativo, no entanto, foi vencido pelo Consórcio Olympus XX, formado pela Alupar e pela Infra 2 Investment, da Perfin. De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), os investimentos totais somam R$ 1,8 bilhão. O deságio médio foi de 53,2%, o que representa o terceiro maior desconto desde 2017 para o segmento. O Lote 7, o primeiro a ser ofertado, ficou com o consórcio da Alupar e da Perfin, que ofereceu uma Receita Anual Permitida (RAP) de R$ 96,7 milhões, valor que representa um desconto de 52% em relação à RAP máxima estipulada pela Aneel. O trecho abrange 35 quilômetros (km) de linhas subterrâneas, além de 1.200 megavolt-ampère (MVA) em capacidade de transmissão em São Paulo. A transmissora não vencia certames do segmento desde 2024. A Axia, por sua vez, ficou com o Lote 8 após ofertar R$ 10,8 milhões de RAP, montante que representa um deságio de 59%. O trecho corresponde a 6 km de linhas aéreas, além de 300 MVA de capacidade de transmissão no Mato Grosso do Sul. A mesma companhia levou também o Lote 9 com uma RAP de R$ 16,2 milhões, desconto de 57,2% em relação à RAP máxima. O ativo compreende 19 km de linhas aéreas, além de 300 MVA em capacidade de transmissão no Estado de São Paulo. Por fim, a elétrica ficou ainda com o Lote 10 ao ofertar RAP de R$ 23,75 milhões, deságio de 51,8%. Assim, será responsável por construir e operar 600 MVA em capacidade de transmissão no Mato Grosso. Companhias como EDP, Cox, e Zopone também disputaram os trechos, mas ficaram sem novos ativos. As companhias vencedoras terão entre 42 e 60 meses para concluir os empreendimentos, dependendo do lote.Todos eles haviam sido vencidos pela MEZ Energia em 2020 e 2021, mas a companhia não cumpriu o cronograma, e devolveu os trechos após solução consensual junto ao Ministério de Minas e Energia (MME). A expectativa da Aneel é que sejam gerados mais de 4 mil empregos com as obras, que se estenderão pelos três Estados a partir da assinatura dos contratos. Segundo o vice-presidente executivo da Axia Energia, Élio Wolff, a empresa optou por buscar ativos nos quais já tem experiência. A companhia ficou com os trechos que abrangem linhas aéreas e subestações, e não apresentou proposta para o lote que contempla infraestrutura subterrânea. “O Lote 7 é peculiar, ele é subterrâneo e em São Paulo (SP), o que traz uma complexidade diferente. Por isso, optamos por focar nos lotes 8, 9 e 10. É um pouco da cabeça da empresa, focar naquilo que a gente tem expertise”, disse a jornalistas após o certame realizado na B3. Os ativos compreendem obras em três Estados, com investimentos estimados em cerca de R$ 700 mil. Isso se soma a carteira de projetos adquiridos em outros certames do segmento, que ficam entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões. Ainda nesta frente, a companhia está aportando outros R$ 4 bilhões, considerando os reforços e melhorias nas linhas e subestações já existentes. Em relação ao próximo leilão de transmissão, previsto para outubro, o executivo afirmou que está em estudo, assim como o primeiro certame para contratação de baterias, marcado para dezembro. Sobre ele, Wolff afirmou que a exigência de conteúdo nacional na primeira sessão não deve ser um impeditivo considerando que a maior parte do mercado está na China. “A regra do leilão cabe ao licitante. A nós cabe se adaptar, estudar. Vamos conversar com todos os fornecedores, se preparar, e vai atender as regras”, concluiu. — Foto: Agência Brasil