Andrei Rodrigues lembrou que todas operações são feitas somente com autorização da Justiça e destacou que a corporação não vai deixar de combater irregularidades devido ao período eleitoral O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (3) que a corporação não fará “moratória” de operações durante o período eleitoral e que seguirá realizando operações quando houver elementos suficientes para isso. A fala foi feita durante um café da manhã com jornalistas em Brasília. “Nós não temos como fazer moratória quando há elementos suficientes. E a questão das nossas operações, elas cumprem um rito processual e atendem às exigências legais para uma busca e apreensão, uma prisão preventiva ou temporária”, afirmou Rodrigues. O diretor-geral lembrou ainda que todas operações são feitas somente com autorização da Justiça e deixou claro que a corporação não vai deixar de combater irregularidades devido ao período eleitoral, que se inicia neste mês. A partir de sábado (4) começa o chamado período de “defeso eleitoral” no qual são impostas várias restrições ao governo federal, como proibição de fazer inaugurações e mesmo de fazer propaganda de iniciativas do governo. Este período, porém, não impõe uma proibição de operações policiais. “Agora o investigador não pode se deparar com tudo aquilo ali e falar ‘olha está cometendo um crime, não pode, mas como estamos em período eleitoral vou deixar o cara cometer o crime ali’. Isso nós não vamos fazer”, afirmou Rodrigues. O diretor-geral ponderou ainda que a corporação tem consciência de seu papel e que o eleitor deve votar sem ser influenciado por órgãos públicos ou privados. “Agora a gente tem também essa consciência do papel que a instituição tem, e como eu disse o eleitor tem que votar por seu livre convencimento, absoluta liberdade, sem que qualquer instituição, pública ou privada interfira nessa intenção”, explicou. A fala de Rodrigues ocorre em meio aos avanços das investigações da Operação Compliance Zero, que vem expondo a relação de diferentes políticos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso suspeito de arquitetar diversas fraudes bancárias e que teve seu banco liquidado pelo Banco Central após a identificação de várias irregularidades. A corporação também conduz as investigações da Operação Sem Desconto, que investiga um megaesquema de descontos indevidos na folha de pagamento de aposentados do INSS por entidades e associações suspeitas de desviar dinheiro. Também nesta frente há suspeita de envolvimento de políticos de diferentes campos ideológicos. A expectativa é de que as investigações destas duas operações sigam em andamento e que a PF avance contra políticos e demais suspeitos mesmo durante o segundo semestre deste ano. Diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues — Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil