Na manhã de 11 de setembro de 2001, enquanto os atentados contra as Torres Gêmeas transformavam Nova York no centro das atenções do mundo, uma história paralela começava a se desenrolar a quase 2.000 quilômetros de distância.

Com o fechamento imediato do espaço aéreo dos Estados Unidos, 38 aviões foram desviados para Gander, pequena cidade canadense de pouco mais de 10 mil habitantes. Em poucas horas, cerca de 6.700 passageiros de diferentes nacionalidades desembarcaram inesperadamente na ilha de Newfoundland, praticamente dobrando a população local.

O episódio ficou à margem da cobertura jornalística daqueles dias, mas acabou dando origem, mais de uma década depois, ao musical "Come From Away", que estreou em 2015 e chegou à Broadway dois anos depois. A obra de Irene Sankoff e David Hein desloca o foco da tragédia para aquilo que aconteceu depois dela.

Em vez de construir uma narrativa sobre o terrorismo, o musical acompanha o esforço coletivo de moradores que improvisaram alojamentos, cozinhas, centros comunitários e redes de apoio para acolher milhares de desconhecidos.

O destaque, então, é mais no discurso de solidariedade do que no atentado terrorista. Assim, o diretor Rafael Gomes e o produtor Vinicius Munhoz buscam um público não tão ávido a consumir todos os musicais da Broadway que ganham montagens nacionais.