Antes das Torres Gêmeas, houve Lockerbie. A frase pode soar estranha para boa parte dos brasileiros. Afinal, o atentado de 11 de setembro de 2001 contra as Torres Gêmeas, em Nova York, tornou-se o grande marco do terrorismo contemporâneo, o episódio que redefiniu a política externa americana e inaugurou a chamada Guerra ao Terror.

Mas, 13 anos antes, uma tragédia já havia mostrado ao mundo o alcance devastador desse tipo de violência. Em 21 de dezembro de 1988, o voo 103 da Pan Am explodiu sobre a pequena cidade escocesa de Lockerbie poucos minutos após decolar do aeroporto de Heathrow, em Londres.

O destino desejado era Nova York. Mas a tragédia de Lockerbie provocou a morte de todos os 259 ocupantes da aeronave. Outras 11 pessoas morreram em terra quando destroços da aeronave atingiram casas da cidade. Ao todo, foram 270 mortos.

É essa história que a série "Lockerbie", disponível no Prime Video, resgata e tenta humanizar. Indicada ao Bafta e protagonizada por Colin Firth, a produção poderia facilmente ter escolhido o caminho da investigação policial ou do thriller político. Em vez disso, concentra-se na trajetória de Jim Swire, médico britânico que perdeu a filha Flora no atentado e que passaria décadas tentando descobrir quem estava por trás da tragédia.