06/08/2026 11h40 Atualizado há 24 minutos

O encontro entre essas atrizes nasce de um desejo antigo de Eduardo Barata. Ao transformar suas histórias de vida em dramaturgia, o diretor constrói uma narrativa que aproxima diferentes gerações da cena brasileira e estabelece um diálogo com a sua própria trajetória familiar, da ancestralidade na Ilha do Marajó ao palco carioca. Neto de paraenses por parte de mãe e de pai, Barata faz da peça uma declaração de afeto à cultura do Norte. A montagem parte do fictício Condomínio Galharufa, em Copacabana, e propõe uma viagem dessas mulheres a Belém do Pará, entre festas populares, música, fé e imaginação.

Essa força da cultura amazônica e da religiosidade popular serve de moldura para que as atrizes coloquem suas próprias vivências em movimento. Ítala Nandi celebra o prazer de voltar à cena homenageando tanto seu eterno lado transgressor como o talento de suas colegas contemporâneas. Maria Pompeu, que retorna aos palcos após um hiato de dez anos, usa o humor para refletir sobre o envelhecimento e a modernidade, enquanto Bete Mendes, na pele de uma síndica rabugenta e divertida, exalta o frescor que só a experiência teatral proporciona: "É aquela coisa viva, o entrosamento de todos, cada dia é um espetáculo diferente. Sou fã de todas do elenco".