“Bizarre”, a décima faixa de 'Confessions II', o novíssimo álbum da rainha do pop, gerou controvérsia mesmo antes de seu lançamento oficial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Madonna e Sean Penn em1988 — Foto: Arquivo O Globo Madonna voltou a colocar sua vida privada em evidência. Com o lançamento de "Confessions II" a Rainha do Pop revisita um dos capítulos mais comentados de sua história amorosa: a relação com o ator Sean Penn, com quem foi casada de 1985 a 1989. Assim como no marco "Confessions on a Dance Floor" (2005), o álbum lançado nesta sexta-feira mescla faixas feitas para a pista de dança com outras muito mais introspectivas. O disco começa com uma energia deep house voltada para festas, mas, à medida que avança, revela um tom cada vez mais pessoal, quase como um diário íntimo. Composto por 16 faixas, traz colaborações com Sabrina Carpenter (“Bring Your Love”, que estreou ao vivo no Coachella), com o artista colombiano Feid (“Read My Lips”) e uma música com sua própria filha, Lourdes León (“The Test”). Mas se há uma faixa que ganhou destaque nas últimas horas, é “Bizarre”, uma colaboração com o DJ Martin Garrix. Madonna não menciona Sean Penn diretamente, mas as alusões são difíceis de ignorar. A letra descreve um astro de cinema com “intensos olhos azuis”, que ela retrata como alguém que se sentia ameaçado pela enorme exposição midiática de sua parceira e que, segundo a música, nunca esteve disposto a “dividir o tapete vermelho” com ela. Para quem acompanha de perto a história da cantora, dois detalhes completam o quadro: uma referência a um Ford Shelby GT500 conversível de 1968 — o carro que Madonna teria dado a Penn quando se casaram — e uma alusão velada a uma condenação por direção imprudente que o ator recebeu em 1987, durante seu casamento. Ambos os fatos são de conhecimento público e coincidem com eventos reais do relacionamento deles. Madonna e Sean Penn — Foto: Divulgação Essas referências estão no início da música. “Movie star, deep blue eyes / In Hollywood, we're a perfect prize / He drove way too fast / Shelby Cobra, wasn't meant to last.” Mais tarde, a artista canta: “Roll out the carpet for us, but you won't share it / I guess you're threatened by me, you won't admit it / The little things that you did that made me want you / The fire was so intense”. O tom geral da música não é totalmente hostil, mas ambivalente: combina nostalgia com reprovação, como se Madonna estivesse acertando contas 37 anos após o divórcio. Madonna e Sean Penn — Foto: Divulgação O que chama a atenção é que, na última década, Madonna se referiu a Penn com carinho em diversas ocasiões. O exemplo mais citado ocorreu em 2016, durante um evento beneficente organizado pelo ator em prol de sua fundação de ajuda ao Haiti. Do palco, a cantora o surpreendeu com uma declaração que viralizou instantaneamente, na qual ela o assegurou que o amava desde o primeiro momento e que ainda sentia o mesmo. Esse contraste — entre a demonstração pública de afeto dos últimos anos e o tom mais ácido de “Bizarre” — é justamente o que gerou mais burburinho entre a imprensa e os fãs: estaríamos testemunhando um acerto de contas tardio ou simplesmente um exercício de reminiscência emocional, sem qualquer intenção de ferir? Madonna e Sean Penn — Foto: Divulgação O casamento deles foi marcado desde o início por intensa exposição na mídia e rumores de um relacionamento turbulento. Anos depois, em 2015, a cantora teve que negar publicamente, por meio de uma declaração juramentada, as alegações de que Penn teria sido violento durante o relacionamento, algo que ela negou categoricamente. Eles se conheceram em 1985, quando Penn já era um ator em ascensão e Madonna se tornava a maior estrela pop do planeta graças a álbuns como "Like a Virgin". A atração foi imediata e o namoro, meteórico: casaram-se naquele mesmo ano, em 16 de agosto, data que também coincidiu com o aniversário da cantora. A cerimônia, realizada em uma mansão em Malibu, acabou se transformando em um frenesi da mídia: helicópteros da imprensa sobrevoaram a festa por horas para tirar fotos, algo que definiu o tom de todo o relacionamento que se seguiria. Madonna e Sean Penn — Foto: Divulgação Desde o início, o casal sofreu constante assédio dos paparazzi, algo que ambos vivenciaram de maneiras muito diferentes. Madonna, acostumada à exposição pública desde o início de sua carreira, lidou com a fama com mais facilidade. Penn, por outro lado, a rejeitava abertamente e chegou a ter diversos encontros tensos com fotógrafos, o que alimentou sua imagem de ator temperamental. Essa assimetria — uma estrela que abraça os flashes e outra que os detesta — é, segundo diversas análises da letra de "Bizarre", o núcleo emocional que a canção revisita quase quatro décadas depois. O casal enfrentou rumores constantes de crises, reconciliações e uma vida juntos descrita por ambos como intensa. Madonna entrou com o pedido de divórcio pela primeira vez em 1987, embora o processo não tenha avançado imediatamente, e o casal tenha tentado se reconciliar. Finalmente, em janeiro de 1989, o divórcio foi finalizado, encerrando um casamento de pouco menos de quatro anos que, no entanto, deixou uma marca profunda em ambos. Madonna e Sean Penn — Foto: Divulgação Longe de romperem completamente os laços, Madonna e Penn mantiveram contato ao longo das décadas seguintes, com períodos de maior proximidade e outros de distanciamento. A cantora chegou a descrever esses anos de casamento como "intensos" em diversas entrevistas, evitando entrar em muitos detalhes. No entanto, apesar de inicialmente ter gerado maior interesse devido à sua natureza autobiográfica, “Bizarre” não é a única faixa de Confessions II que revisita o passado de Madonna. Em “Betrayal”, a artista direciona sua raiva para Joan, sua madrasta, que faleceu em 2024 enquanto o álbum ainda estava em produção. A letra aborda o ressentimento acumulado ao longo dos anos em relação à chegada de Joan à família após a morte de sua mãe biológica, que ocorreu quando a cantora tinha apenas cinco anos de idade. Há também espaço para reconciliação: em “The Test”, Madonna canta com sua filha Lourdes sobre as dificuldades que enfrentaram como mãe e filha, e em “Fragile” ela presta homenagem ao seu irmão Christopher Ciccone, que faleceu em 2024, com quem teve uma relação complicada durante grande parte de sua vida. O álbum também inclui referências à grave crise de saúde que a cantora enfrentou em 2023, quando foi hospitalizada em terapia intensiva e, como relatou posteriormente, esteve à beira da morte. Madonna afirmou em diversas entrevistas que foram seus seis filhos que lhe deram forças para se recuperar e retornar aos palcos.