Socorrista explica que corpo humano pode sobreviver até sete dias sem água 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Equipes de resgate não encontram mais sinal de vida em ruínas de terremoto que atingiu a Venezuela — Foto: Federico Parra/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/07/2026 - 23:56 Resgate na Venezuela encerra buscas; moradores criticam apoio estatal. Equipes de resgate na Venezuela encerraram buscas em escombros sem sinais de vida após terremotos devastadores em La Guaira, onde 2.595 morreram. Apesar de um resgate bem-sucedido de um sobrevivente após oito dias, a esperança diminui. A população reclama da falta de apoio governamental, enquanto voluntários tentam ajudar. O clima é de desespero e urgência na busca por desaparecidos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um grupo de socorristas conclui sua operação nos escombros do que antes era um prédio. Os sensores que antes mostravam sinais de vida agora não detectam nada: o silêncio se transforma em resignação na Venezuela. Eles dedicaram 30 horas de trabalho, que terminaram sem nenhum resgate. Poucas horas antes, outra brigada comemorava o resgate de um homem de 43 anos que sobreviveu oito dias sob os escombros dos terremotos que devastaram a cidade turística de La Guaira. O duplo terremoto matou 2.595 pessoas e deixou milhares de feridos e desaparecidos. O cheiro de morte que impregna La Guaira está surpreendentemente ausente. Hernán Sandoval mantém a esperança de que seu filho de 8 anos, Ronald, e seus dois sobrinhos sejam encontrados com vida. "Deus, por que está levando meu filho se ele é um anjo?", pergunta o marinheiro de 26 anos, que foi a hospitais, abrigos e pesquisou online. "Tenho muita fé", disse ele à AFP. A última avaliação não mostra sinais de vida. Os socorristas se afastam um pouco mais da estrutura e discutem em círculo. Não há mais nada a fazer. A operação é cancelada. As chances de encontrar vida nos escombros diminuem a cada hora que passa. O corpo humano pode sobreviver até sete dias sem água, explica um socorrista. Já se passaram oito. E isso varia dependendo de condições como a temperatura, e, em La Guaira, o calor é opressivo. Venezuelano é resgatado com vida após 8 dias sob escombros 1 de 6 Hernan Gil foi resgatado após oito dias sob escombros de um prédio em La Guaira, onde trabalhava como vigilante — Foto: Federico PARRA / AFP 2 de 6 Ele ficou soterrado na guarita do prédio onde trabalhava em Catia La Mar — Foto: Federico PARRA / AFP X de 6 Publicidade 6 fotos 3 de 6 Nesta quinta (2), ele saiu dos escombros em meio a abraços e aplausos dos socorristas — Foto: Federico PARRA / AFP 4 de 6 Ele foi retirado em uma maca e levado para uma ambulância que o conduziu à Caracas, a capital, a 40 quilômetros de distância — Foto: Federico PARRA / AFP X de 6 Publicidade 5 de 6 Durante a fase final da operação, cerca de 30 pessoas trabalharam para remover os escombros — Foto: Federico PARRA / AFP 6 de 6 Nos últimos dias, socorristas montaram bases de operação e trabalharam dia e noite para retirar Gil dos escombros — Foto: Federico PARRA / AFP X de 6 Publicidade Caso aconteceu em La Guaira, a cidade mais devastada pelos terremotos "Não há apoio" Um socorrista mexicano explica que seus equipamentos de rádio conseguiram detectar sinais de vida em outro prédio, mas eles não conseguiram contato com ninguém. Eles cavam e removem os escombros, e não encontram nada. Eles pedem silêncio. A polícia ordena que os motoristas desliguem os motores na estrada destruída. "Somos socorristas, façam barulho!", grita um deles. Nada. Ele estima que sexta-feira — o nono dia desde a tragédia — será seu último dia procurando por sobreviventes. Uma brigada americana mobilizou cães farejadores e acionou um detector de som de alta sensibilidade. Marina Castillo, de 67 anos, aguarda apenas ajuda para recuperar o corpo de seu neto, Alexandro de Guidice, um estudante de direito de 24 anos. "Tem sido horrível, não há apoio", lamenta. É uma queixa comum entre a população, que denuncia a inação do governo apesar dos reforços que chegaram de 27 países. Vizinhos, parentes e voluntários se mobilizaram para ajudar com picaretas e pás desde o início, mas o esforço é insuficiente. Castillo chegou a encontrar um corpo com a ajuda dessas pessoas, que escavaram os escombros. "Chegamos ao apartamento dele, vimos todos os seus livros de direito, seus arquivos. É terrível", diz. "O que eu quero agora é que o tirem de lá. Vamos tirá-lo de lá, vivo ou morto." Forte terremoto atinge a Venezuela 1 de 20 Fotografias aéreas mostra comparação do antes e depois do terremoto em La Guaira — Foto: Vantor / AFP 2 de 20 Equipes de resgate seguem em uma corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes soterrados em Caracas — Foto: Federico PARRA / AFP X de 20 Publicidade 20 fotos 3 de 20 Um homem inspeciona um prédio de apartamentos que desabou após um terremoto em Catia La Mar, no estado de La Guaira, a cerca de 30 km a noroeste de Caracas, em 25 de junho de 2026 — Foto: FEDERICO PARRA / AFP 4 de 20 Registro mostra o interior de uma casa após terremoto na cidade de Catia La Mar — Foto: Federico PARRA / AFP X de 20 Publicidade 5 de 20 Pessoas dormem na rua após o terremoto em Caracas — Foto: Manaure QUINTERO / AFP 6 de 20 Equipes de socorro, incluindo integrantes da Cruz Vermelha Venezuelana, procuram pessoas que possam estar presas sob os escombros — Foto: Federico PARRA / AFP X de 20 Publicidade 7 de 20 Busca por pessoas que possam estar soterradas em Caracas — Foto: Federico PARRA / AFP 8 de 20 Nos próximos dias, o esforço humanitário deverá se concentrar no resgate de sobreviventes — Foto: Federico PARRA / AFP X de 20 Publicidade 9 de 20 As pessoas retiradas dos escombros estão recebendo atendimento médico em clínicas locais — Foto: Federico PARRA / AFP 10 de 20 Grupos de resgate fazem buscas com pessoas nos escombros em Catia La Mar — Foto: Juan BARRETO / AFP X de 20 Publicidade 11 de 20 Prédios destruídos, feridos e pânico: imagens mostram destruição causada por terremoto na Venezuela — Foto: Juan Barreto/AFP 12 de 20 O governo venezuelano declarou estado de emergência após dois fortes terremotos atingirem o país quase consecutivamente — Foto: Juan Barreto/AFP X de 20 Publicidade 13 de 20 Os tremores foram sentidos até na Colômbia e no Brasil — Foto: Federico Parra/AFP 14 de 20 As cenas em Caracas eram de destruição e pânico — Foto: Federico Parra/AFP X de 20 Publicidade 15 de 20 Pessoas do lado de fora gritavam os nomes de seus parentes, e alguns voluntários escalavam os escombros — Foto: Federico Parra/AFP 16 de 20 Diversas áreas ficaram sem energia elétrica. Muitas ruas estavam cobertas de cacos de vidro — Foto: Manaure Quintero/AFP X de 20 Publicidade 17 de 20 Pessoas que evacuaram prédios em Caracas esperaram mais de uma hora antes de retornar — Foto: Manaure Quintero/AFP 18 de 20 Prédios desabaram em diferentes partes de Caracas — Foto: Manaure Quintero/AFP X de 20 Publicidade 19 de 20 Terremotos causaram destruição na Venezuela — Foto: AFP 20 de 20 Terremotos na Venezuela: país registra 10 réplicas após abalos que deixaram ao menos 32 mortos — Foto: AFP X de 20 Publicidade Prédios desabaram em diferentes partes de Caracas Quase 200 prédios desabaram completamente devido aos terremotos que atingiram La Guaira e a vizinha Caracas, segundo dados oficiais. "Socorro, aqui está minha mãe morta", escreveu Mirosnel Gordon com tinta preta na fachada verde de uma casa. A família colocou cal sobre o corpo para "amortecer" os efeitos da decomposição. "Estamos aqui esperando que consigam retirar o corpo dela, mas precisamos de equipamentos e máquinas", diz ele. "Há alguns socorristas voluntários tentando remover a viga" que atravessa o corpo. Para auxiliar nas buscas, Jonathan Soto trouxe uma retroescavadeira do estado de Anzoátegui, a 500 km de La Guaira. As pessoas imploram por sua ajuda. Ele pede calma. "Não dá para simplesmente entrar lá assim", explica. Mas o desespero é generalizado. Do lado de fora do complexo onde a sogra de Joan Manuel Lucena está desaparecida, os socorristas não encontraram sinais de vida. "Mas não vamos a lugar nenhum, então vamos tirá-los de lá, vivos ou mortos", afirma ele.