Número de mortos se aproxima de 1.500, enquanto familiares e socorristas seguem escavando montanhas de escombros em busca de vítimas com vida. 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Funcionários de um hospital sentam-se do lado de fora de uma unidade hospitalar que desabou em Catia La Mar, no estado de La Guaira, na Venezuela, em 28 de junho de 2026, após os terremotos — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/06/2026 - 11:29 Esperança por Sobreviventes Diminui após Terremotos na Venezuela Mais de 90 horas após devastadores terremotos na Venezuela, a esperança de encontrar sobreviventes diminui, enquanto o número de mortos se aproxima de 1.500. Equipes de resgate continuam a escavar escombros em busca de vida, apesar da crítica lentidão nas respostas das autoridades. A ajuda internacional cresce, com os EUA enviando US$ 150 milhões e reforços. A situação é agravada por restrições de acesso na região mais afetada, La Guaira. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Mais de 90 horas após os terremotos que devastaram a Venezuela, a esperança de encontrar sobreviventes diminui a cada hora, mas milhares de socorristas, familiares e voluntários continuam escavando montanhas de concreto em busca de vítimas com vida. O desastre já deixou quase 1.500 mortos e dezenas de milhares de desaparecidos. Segundo equipes que atuam nas áreas mais atingidas, as chances de localizar pessoas vivas diminuem significativamente após as primeiras 72 horas, embora os trabalhos de resgate continuem. — Depois de 72 horas, a regra é que os corpos já estejam sem vida, mas, graças a Deus, esperamos ainda encontrar pessoas com sinais vitais — disse à AFP, em La Guaira, um socorrista salvadorenho que pediu para não ser identificado. Na noite de sábado, um menino de 11 anos foi retirado com vida dos escombros em Caraballeda. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, informou que outras 32 pessoas também foram resgatadas com vida no mesmo dia. "Na noite de sábado, um menino de 11 anos foi resgatado com vida em Caraballeda. Nestas horas, cada vida representa esperança para a Venezuela", escreveu Rodríguez na rede X. Esperança de encontrar sobreviventes diminui mais de 90 horas após terremotos na Venezuela — Foto: AFP O chefe de ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, afirmou na sexta-feira à AFP que o número de mortos ainda deve aumentar e que mais de 50 mil pessoas continuam desaparecidas. La Guaira, localizada a cerca de 40 quilômetros de Caracas, é uma das regiões mais atingidas pelos terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5. Dezenas de edifícios desabaram e transformaram bairros inteiros em montanhas de concreto e destroços. 'Há gente viva debaixo dos escombros' Enquanto as buscas prosseguem, moradores criticam a lentidão da resposta das autoridades e afirmam que faltam equipamentos para remover os escombros. Marlon Ochoa, sobrevivente do desabamento de um edifício em La Guaira, procurava a mãe, a esposa e o filho, desaparecidos desde o colapso do prédio. — Ainda não vejo as autoridades encarregadas cuidando da situação aqui nesta área — afirma. Ele cobrou o envio de equipamentos pesados para acelerar os resgates. — Disseram que estão deliberando. Deliberando o quê? (...) Se hoje ninguém chegar aqui, vamos fazer uma revolução, porque precisamos de máquinas, geradores, perfuradores, de tudo. O sobrevivente também afirmou acreditar que ainda há pessoas vivas sob os escombros. — Estamos indignados. Há gente viva debaixo dos escombros e não temos mãos nem ferramentas suficientes. Héctor Aguilera, de 60 anos, viajou até La Guaira para tentar localizar parentes soterrados. — Não temos apoio para retirar nossos familiares. Nós mesmos não conseguimos. Eles estão soterrados. Sabemos que estão mortos, mas continuamos esperando uma resposta das autoridades — diz. Ele disse que já perdeu as esperanças de encontrar familiares vivos. — Não temos mais esperança. O que me restam são as lembranças. Familiares de desaparecidos chegaram a bloquear uma estrada em La Guaira para exigir reforço imediato das operações de resgate, segundo jornalistas da AFP. Ajuda internacional aumenta O Papa Leão XIV manifestou solidariedade às vítimas durante a oração do Angelus. — Desejo expressar minha proximidade às irmãs e aos irmãos venezuelanos e manifesto minha gratidão e incentivo a todos os que trabalham generosamente nas tarefas de busca e assistência — disse o Pontífice. A ONU estima que os terremotos possam afetar quase sete milhões de pessoas e causar prejuízos de cerca de US$ 6,7 bilhões, o equivalente a 6% do PIB venezuelano. O aeroporto internacional que atende Caracas retomou parcialmente as operações no sábado para receber voos com ajuda humanitária. Segundo um alto funcionário americano ouvido pela imprensa sob condição de anonimato, o navio anfíbio USS Fort Lauderdale permanece na costa venezuelana para apoiar as operações de resgate. Os Estados Unidos anunciaram o envio de US$ 150 milhões em ajuda, além de dois navios de guerra, aeronaves de transporte e helicópteros. Segundo Delcy Rodríguez, 24 países já enviaram mais de 2.700 socorristas, 521 toneladas de ajuda humanitária e 86 equipes internacionais com cães treinados para localizar sobreviventes. Craig Demeillon, bombeiro australiano de 43 anos que viajou de Miami por conta própria para ajudar nos resgates, descreveu o cenário encontrado. — Está simplesmente muito caótico, faz calor e tudo está desorganizado. Espero que ainda haja mais pessoas para encontrar. Restrições geram críticas Desde sexta-feira, o governo venezuelano militarizou La Guaira e passou a exigir salvo-conduto para entrar na região. A medida provocou filas de médicos, paramédicos, socorristas e voluntários que tentavam obter autorização para participar dos resgates. — É preciso conseguir uma permissão para salvar vidas. Imagine só — criticou o socorrista Carlos Itriago, de 27 anos. La Guaira já havia sido devastada em 1999 por fortes chuvas e deslizamentos de terra que deixaram mais de 10 mil mortos.