Tarifaço de Trump já não provoca medo, mas custo político será elevado para Flávio BolsonaroImpacto na economia será setorial, mas limitado, enquanto senador será acusado de prejudicar o País. Crédito: Alvaro GribelGerando resumoO Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) anunciou que irá abrir na próxima segunda-feira, 6, uma audiência pública sobre políticas e práticas do Brasil, sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974. A audiência ocorrerá na Comissão de Comércio Internacional dos EUA, em Washington, a partir das 9h (de Brasília).No cronograma dos painéis da audiência constam como participantes o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — aliado de Trump, que na quarta-feira, 1º, havia pedido o adiamento do tarifaço (leia mais abaixo) —, Andressa Silva, da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), e Marcos Matos, do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), entre outros.Governo Trump pressiona o Brasil contra iniciativas como a operação do Pix Foto: Julia Demaree Nikhinson/APPUBLICIDADEO senador Flávio Bolsonaro sugeriu ao USTR que a decisão sobre a tarifa de 25% contra o Brasil fosse adiada para depois das eleições de outubro. No documento, encaminhado na quarta-feira, 1º, ele argumenta: “recompensaria os próprios infratores que deveria punir” e daria ao governo Lula “exatamente a vitória política que vem arquitetando”.No documento, Flávio sustenta que o governo Lula passou a agir de forma deliberada para provocar os Estados Unidos e garantir a manutenção das tarifas. Isso porque a pressão comercial teria se mostrado eleitoralmente favorável ao presidente.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu à carta do senador Flávio Bolsonaro ao USTR afirmando que a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) quer se “submeter aos interesses” americanos com entreguismo.“É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano. Nós sempre vamos dialogar de igual pra igual com qualquer nação do mundo”, disse Lula no X.PublicidadeQuais são os alvos do enquadramento pela Seção 301A Seção 301 tem sido usada pelo governo americano para investigar e punir práticas comerciais estrangeiras apontadas pela Casa Branca como injustas ou prejudiciais às empresas americanas. No caso do Brasil, um dos alvos é o Pix.Leia tambémEUA publicam decisão de investigação sobre ‘práticas incoerentes’ do Brasil e propõem tarifa de 25%Pix, corrupção, pirataria: entenda as novas tarifas impostas pelos EUA ao BrasilGoverno Lula defende Pix em resposta aos EUA e propõe negociações bilaterais sobre etanolEm comunicado, o USTR afirma que a proposta de ação é uma resposta da investigação da Seção 301 a respeito de atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas consideradas “injustas e preferenciais”, aplicação de medidas anticorrupção, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, e desmatamento ilegal.