Bares podem morrer ou ser assassinados.
A morte natural ocorre quando a clientela começa a escassear, o que derruba a qualidade da birosca e afasta mais a freguesia, num ciclo difícil de interromper.
O fechamento do Bar do Biu é um flagrante caso de execução sumária pelas costas, agravada pela localização: a fuliginosa rua Cardeal Arcoverde. É lá, na principal artéria de Pinheiros, que a vítima jaz insepulta —e, até segunda ordem, ainda viva.
Você pode ter motivos razoáveis para não gostar do Bar do Biu. Pode achá-lo corintiano demais, rústico demais, barulhento ou calorento demais. Pode reclamar, resmungar e chiar. O Biu seguirá sucesso de público, assim como o Paris 6, mas em outra categoria.
O bar fechará apenas porque a dona do imóvel o vendeu para uma construtora, em negociação que excluiu os botequeiros e suas demandas. A esquina do Biu terá, em breve, mais um belíssimo prédio desses que têm brotado aos borbotões. Por determinação do Plano Diretor, muitas das torres que sobem têm comércio no térreo, a tal fachada ativa.









