Intervenções em área invadida ao lado do estabelecimento causaram desabamento parcial da parede lateral. Outras duas pessoas reivindicam uso do espaço 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Faixa de interdição no Bar do Zé, que está fechado desde o final de março — Foto: Márcia Foletto RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/06/2026 - 16:23 Família luta na Justiça para reabrir Bar do Zé na Glória após desabamento O Bar do Zé, tradicional ponto de boemia na Glória, está fechado desde março após desabamento parcial devido a intervenções em um terreno vizinho. A família de José Anselmo Filho, que usa o espaço há décadas, batalha na Justiça pela posse do local, disputado por outras duas pessoas. Frequentadores apoiam a família com abaixo-assinado. O imóvel histórico aguarda decisão judicial para reabrir. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Tradicional ponto de boemia na Glória, que já serviu de cenário para filmes e novelas e costumava ser frequentado por artistas, o Bar do Zé, na Rua Barão de Guaratiba, está fechado desde último dia 27 de março, quando parte de uma parede lateral desabou. Um novo desmoronamento aconteceu na última quinta-feira, agravando ainda mais a situação do estabelecimento, que também enfrenta uma batalha judicial pela posse de um terreno vizinho para conseguir retomar suas atividades. Tudo começou com a invasão do espaço ao lado do bar, por uma mulher identificada como Cláudia e que alega que o local seria quintal de sua casa. Intervenções promovidas por ela, como a retirada de árvores e pedregulhos, teriam provocado os dois desmoronamentos. O uso do terreno também é reivindicado na Justiça por outra pessoa, identificada como J. Clarismar, que diz cuidar do lugar há cinco anos. Do outro lado, a família de José Anselmo Filho, o Seu Zé, garante fazer uso da área, como apoio do bar, há mais de quatro décadas. Segundo Mércia Ribeiro, filha do proprietário do estabelecimento, o espaço vizinho era utilizado para o armazenamento de engradados de bebidas, mesas, cadeiras e outros materiais de operação do comércio. Intervenções em terreno ao lado do Bar do Zé provocaram desabamento parcial de parede — Foto: Márcia Foletto Com base nessa utilização histórica e continuada do espaço pela mesma família, frequentadores, clientes e moradores organizaram um abaixo-assinado pedido que a Justiça reconheça Seu Zé e sua esposa Maria Ivonete Ribeiro Anselmo como detentores do direito de utilização daquela área. A petição foi feita por meio da plataforma Change.org e já angariou mais de 1.400 adesões. Outras 120 assinaturas presenciais também foram colhidas pela família. — Meus pais estão lá desde 1982. Compraram o ponto, onde funcionou o histórico armazém "A Pérola de Guiné" do antigo dono Sr. Rocha, que já usava o terreno do número 47 da rua como apoio de seu negócio. Agora, do nada, surgem essas pessoas se dizendo donas. O que estão tentando fazer é uma grande covardia — argumenta Mércia. A família busca uma liminar para obter acesso ao terreno e iniciar a retirada dos entulhos. Enquanto isso o bar segue fechado. Para os proprietários, a definição judicial sobre a posse do terreno é considerada essencial para viabilizar a limpeza do espaço e elaborar um projeto de recuperação do imóvel, que também foi interditado pela Defesa Civil, já que o muro vizinho apresenta riscos. —Como é um prédio histórico a gente teve de contratar uma empresa especializada — disse Mércia, que encomendou um projeto ao arquiteto Rodrigo Azevedo, responsável pela reforma da Estação Leopoldina. O imóvel do bar não é tombado, mas como está localizado em Área de Proteção do Ambiente Cultural (APAC), as intervenções devem ser previamente autorizadas pelos órgãos competentes, incluindo o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH). Também causou indignação nos familiares a retirada de um grafite em homenagem a Seu Zé e que, segundo eles, era visto como um símbolo da ligação do comerciante com a rua e o bairro. O GLOBO não conseguiu contato com os outros dois moradores que também reivindicam a posse do terreno.