Projetos em terrenos pequenos, localizados nos bairros mais nobres da capital paulista, mesclam arquitetura diferenciada e exclusividade Menos é mais: prédios erguidos em pequenos terrenos formam um novo nicho do mercado imobiliário paulistano. Nos Jardins, o 'Casa vertical JML' terá tijolo de vidro na fachada e lazer com piscina, 'welness' e área gourmet — Foto: BIOMA INC./DIVULGAÇÃO Nos bairros mais desejados de São Paulo, os terrenos com metragens inferiores a mil metros quadrados — desprezados pelas grandes incorporadoras — estão estimulando um novo filão no mercado imobiliário local: os prédios-butique. São empreendimentos com estrutura compacta, poucos apartamentos e lazer essencial. Em troca, oferecem arquitetura diferenciada, conforto e privacidade, em localizações premium da cidade. A incorporadora Bioma tem explorado bem esse nicho, criando uma linha de produtos específica: a “Casa vertical”. Em 2024, entregou o primeiro edifício com a chancela, o “Casa vertical Fradique”, em um terreno de apenas 500 metros quadrados. São 18 apartamentos de 60 a 165 metros quadrados, vendidos a partir de R$ 1,1 milhão. No ano passado, a empresa iniciou as obras do segundo projeto, em Perdizes, e, em junho, expandiu a coleção aos Jardins, com o “Casa vertical JML”. “Foi uma oportunidade. Descobrimos um terreno entre dois prédios e com uma vila de casas nos fundos. Uma área muito limitada para a maioria das empresas, mas com muito potencial para nosso foco de atuação”, afirma Henrique Geroni, fundador e CEO da Bioma. A área de 532 metros quadrados fica na Rua José Maria Lisboa, uma das mais cobiçadas da região. “A cidade tem vários terrenos compactos assim, muito bem localizados, mas que não costumam interessar às grandes incorporadoras. Para nós, são joias a serem lapidadas”, diz Geroni. Os três projetos da “Casa vertical” foram idealizados em parceria com o escritório de arquitetura Perkins & Will (PW), com conceito original de dois sócios do estúdio: Douglas Tolaine e Fernando Vidal. “É algo que temos estudado desde 2011: como tornar terrenos com 10x50 metros, bem comuns na cidade, em projetos interessantes, apesar das restrições de tamanho”, conta Tolaine, diretor de Design da PW São Paulo. A coleção já reúne 12 empreendimentos, incluindo edifícios corporativos. Segundo o arquiteto, projetos com essa escala são mais desafiadores. “É como projetar uma aeronave ou uma embarcação: cada centímetro faz diferença e precisa ser muito bem aproveitado, porque isso reverte no resultado do empreendimento”, explica. O novo prédio nos Jardins terá 23 unidades, entre 60 e 184 metros quadrados, e tijolos de vidro na fachada que criam uma identidade única. O lazer terá piscina, área gourmet e wellness. O valor do metro quadrado gira em torno de R$ 35 mil. No mesmo endereço, a incorporadora Jalgp desenvolve o projeto JML Design Jardins: um edifício escalonado em três volumes, com 21 apartamentos de três suítes e 19 estúdios para “short stay” com acesso exclusivo, em um terreno com cerca de 700 metros quadrados. No residencial, o público-alvo inclui solteiros, que poderão explorar a planta flexível da unidade, e famílias com até dois filhos. “O conceito butique é uma resposta direta à mudança de comportamento do consumidor de luxo, que não quer morar em um ‘carimbo arquitetônico’ replicado pela cidade, mas em um residencial exclusivo, sob medida e que respeite a escala e a história de um bairro consolidado”, afirma Alfredo Eduardo Abibi Filho, sócio-diretor da Jalgp. O projeto do JML Design Jardins é da PSA Arquitetura. “O prédio tem escala de casa, com um lobby mais intimista e espaços de convivência compactos, como se fossem de uma casa”, explica Pablo Slemenson, sócio-fundador do escritório. Para o arquiteto, o Plano Diretor Estratégico da cidade, implementado em 2014 e revisto em 2023, foi fundamental para que esses terrenos menores ganhassem valor. “A nova legislação aumentou o potencial construtivo da cidade, o que permitiu a viabilidade de prédios assim”, afirma. As unidades do JML Design Jardins variam de 139 a 177 metros quadrados e estão à venda por R$ 35 mil o metro quadrado. No JML Design Jardins, lobby intimista e piscina so sticada têm escala “de casa”: sem excessos, com paisagismo denso e mobiliário de inspiração brasileira — Foto: JALGP/DIVULGAÇÃO Valor agregado A Alfa Realty também investe no segmento, mas de uma maneira diferente. Além de prédios com arquitetura assinada e terrenos compactos, a incorporadora apostou em serviços e parcerias com marcas de mobiliário, eletrodomésticos e enxoval para vestir as unidades da coleção “Noon small luxury apartments”. “É uma tese que está se fortalecendo na cidade, e nós profissionalizamos mais esse caminho, buscando atender ao desejo das pessoas por uma solução mais sofisticada de uso do imóvel”, afirma Oliver Gorham, diretor de Produto e Novos Negócios da Alfa Realty. A coleção conta com três projetos: Vila Madalena e Higienópolis, já entregues, e Alto de Pinheiros, recém-lançado. Marcas como a Ornare, de móveis de luxo sob medida, fazem parte da curadoria de parceiros. “Entregamos o apartamento mobiliado e equipado, com tudo pronto para que o comprador ganhe tempo”, diz Gorham. Os proprietários podem ainda optar por adquirir um kit de personalização da unidade, necessário para a adesão a um “pool” de locação gerenciado por uma parceira da Alfa Realty. “A maioria tem aderido a essa oferta. Conseguimos preços melhores junto aos fornecedores, garantimos a manutenção e entregamos o mobiliário ainda na fase da obra, o que traz segurança ao comprador e agiliza a liberação da unidade, seja para morar ou alugar.” Os apartamentos da coleção “Noon small luxury apartments” vêm equipados e mobiliados por marcas de luxo, como a Ornare, além de enxoval para vestir as unidades — Foto: ALFA REALTY/DIVULGAÇÃO