Imóveis históricos têm sido incorporados a novos empreendimentos como áreas de convivência, halls e unidades residenciais 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Passado e futuro. O palacete do Barão de São Clemente ganha nova vida em novo residencial no Flamengo — Foto: ENFORCE/DIVULGAÇÃO Ao garimpar terrenos para sediar novos empreendimentos nos bairros mais valorizados da cidade, as incorporadoras frequentemente encontram um desafio: a área estratégica abriga um casarão antigo. O imóvel nem sempre é tombado ou protegido por lei, mas faz parte da memória e da paisagem urbana da região. O que fazer nesses casos? O mercado tem apostado em duas soluções: transformar o casarão em área de convivência do condomínio ou em hallde entrada, incorporando também estúdios residenciais. E o desafio torna-se ainda mais interessante quando esses imóveis carregam histórias, memórias e relevância para a cidade. É o caso do Symphony Residences, que está surgindo na Rua Marquês de Abrantes, no Flamengo. Desenvolvido pela Enforce (do BTG Pactual), em parceria com a NewView, o residencial terá duas torres com 360 apartamentos erguidas ao redor do histórico palacete do Barão de São Clemente. Construído no século XIX, o imóvel ficou conhecido por ter abrigado o Colégio Bennett, referência na educação carioca por muitas décadas. No novo projeto, o casarão será transformado em um centro de convivência e bem-estar para os moradores. O espaço reunirá academia da BodyTech, área wellness assinada pela consultoria Chandra Spa — a mesma responsável pelo Spa Fasano Rio de Janeiro — e um salão de festas com curadoria da decoradora Patrícia Vaks, nome associado a eventos de alto padrão. Para Talitha Ribeiro, head de Sustentabilidade e Incorporação da Enforce, mais do que um patrimônio da arquitetura, o palacete representa um patrimônio afetivo para o Flamengo e para toda a cidade. —Muitas pessoas que visitaram o estande de vendas estudaram no colégio ou têm familiares ligados à instituição. Elas se emocionaram com a possibilidade de seus filhos desfrutarem de um espaço que fez parte da sua própria infância. Essa memória coletiva foi um dos fatores que reforçaram nossa decisão de preservar e incorporar o casarão ao novo residencial — comenta. A força dessas lembranças também está presente em outro lançamento da cidade. Na Rua Gago Coutinho, em Laranjeiras, um casarão histórico será restaurado e integrado ao novo complexo da coleção “Soul Rio”, da RJDI. Além de recuperar a construção, o projeto prestará homenagem ao geógrafo e navegador português que dá nome à via, por meio de um mural de cerâmica que contará sua trajetória. O projeto prevê 107 apartamentos, quatro deles instalados no casarão. — A ideia de morar em um imóvel antigo restaurado agrada a todos, porque, além do charme natural, tem a questão do pé-direito alto e da própria estrutura da construção. Em um desses apartamentos, a prefeitura autorizou fazer uma claraboia que proporcionará iluminação natural. Além disso, o casarão será a entrada do prédio — diz Jomar Monnerat, sócio da RJDI. Em Ipanema, outro exemplo mostra como a preservação pode caminhar lado a lado com a renovação urbana. Na Rua Alberto de Campos, uma residência da década de 1930 passará por uma ampla restauração para se tornar o principal elemento de convivência do Arc, residencial da Sig Engenharia, com 32 unidades. O nome do empreendimento, aliás, nasceu de uma característica marcante do imóvel: seus arcos originais. Depois de recuperado, o casarão abrigará espaço gourmet, sala de reunião, brinquedoteca, academia, sauna e um terraço com hidromassagem, transformando a arquitetura histórica em parte essencial da experiência dos moradores. —Quando encontramos um terreno com casarão e viabilidade econômica, não é preciso sequer pensar em uma saída mágica: basta recuperar o imóvel antigo e dar a ele uma nova função. Isso embeleza as ruas e evita a perda de elementos da paisagem urbana que sempre têm uma memória afetiva —pontua o sócio-fundador da Sig, Schalom Grimberg.
Casarões ganham nova vida em projetos imobiliários
Imóveis históricos têm sido incorporados a novos empreendimentos como áreas de convivência, halls e unidades residenciais








