Empresas chegam ao coração da capital fluminense impulsionadas por incentivos fiscais, escassez de terrenos em outros bairros e perspectivas de valorização O prédio na Avenida Rio Branco será convertido em residencial, com projeto assinado pela Cité Arquitetura. Nos detalhes, fachada original e nova academia do edifício — Foto: FOTOS DE WPX EMPREENDIMENTOS/DIVULGAÇÃO Construtoras que historicamente concentravam seus lançamentos em bairros das zonas Sul e Oeste do Rio estão agora disputando espaço em uma nova fronteira do mercado imobiliário carioca: o Centro da cidade. Elas chegam agora à região impulsionadas por incentivos fiscais, escassez de terrenos em outras áreas e perspectivas de valorização trazidas pelo programa Reviver Centro. Os novos empreendimentos incluem lançamentos na planta e “retrofits”, com predominância de estúdios e apartamentos compactos voltados tanto para moradores quanto para investidores. Uma das empresas que apostam nesse movimento é a WPX Empreendimentos, que vai anunciar em setembro o “retrofit” no Edifício Unidos, na Avenida Rio Branco, em parceria com a Engeziler. Construído em 1937 para uso comercial, o prédio estava com 80% de vacância antes de ser adquirido. Este é o primeiro grande projeto residencial da via dentro do programa da Prefeitura do Rio. Especializada em “house flipping” — estratégia que prevê a compra de imóveis subvalorizados, reforma e revenda por um preço maior para obter lucro —, a incorporadora passou a investir também em empreendimentos de grande porte. O primeiro projeto dessa nova fase foi o Euzébio, lançado no Flamengo em 2024, em parceria com a Piimo Empreendimentos Imobiliários. O prédio terá 70 unidades, com entrega prevista para abril de 2027. O “retrofit” do prédio na Avenida Rio Branco prevê 123 unidades: estúdios, apartamentos de um quarto, coberturas e loja. Em estilo art déco e projetado pelo arquiteto italiano Luigi Fossati, o edifício terá o projeto de conversão para residencial assinado pelo arquiteto Celso Rayol, da Cité Arquitetura, que preservará seus elementos históricos. “A região tem infraestrutura de lazer e mobilidade consolidada a 1,5 quilômetro da Zona Sul e está pronta para receber moradores e visitantes. O Rio acompanha a tendência global de reocupar os centros urbanos com moradias”, destaca Wagner Paz, diretor da WPX. Fachada preliminar de novo lançamento na Rua da Quitanda: torre única com 24 andares e 344 estúdios de 30 a 40 metros quadrados, ao preço médio de R$ 400 mil, e duas lojas no térreo — Foto: CANOPUS/DIVULGAÇÃO Os diferenciais da região também atraíram a Patrimar, que acabou de lançar o Connect Square, na Avenida Graça Aranha, próximo à estação Carioca do metrô e ao lado do Terminal Menezes Côrtes. Criada em Belo Horizonte, a empresa chegou ao Rio há alguns anos e fincou bandeira na Barra da Tijuca. O sucesso do empreendimento é incontestável: todas as 312 unidades da primeira fase e as 138 da segunda já foram comercializadas. Na última fase, prevista para 2027, serão lançadas mais 174 unidades, totalizando 624. O prédio terá 40% de estúdios e 60% de apartamentos de um e dois quartos. O lazer com piscina, academia, sauna e outros itens ficará no “rooftop”, com vista privilegiada para a Baía de Guanabara. Os preços variam de R$ 324 mil a R$ 579 mil. Alex Veiga, CEO do Grupo Patrimar, ressalta que a empresa trabalha com estatísticas e sabe que o turismo no Rio vem se expandindo fortemente nos últimos quatro anos. “O Centro tem mobilidade, infraestrutura e preço acessível. Esse terreno que conseguimos na região é uma grande oportunidade e está alinhado à nossa estratégia de construir projetos na planta. Não queremos fazer ‘retrofit’, em princípio”, afirma. A Canopus, também mineira, está no Rio desde 2004 e já lançou projetos em Botafogo, no Recreio e na Barra da Tijuca. Vai chegar ao Centro, em setembro, com um lançamento na Rua da Quitanda de torre única com 24 andares e 344 estúdios de 30 a 40 metros quadrados ao preço médio de R$ 400 mil, além de duas lojas no térreo. “Está cada vez mais difícil encontrar terrenos em outras regiões do Rio. Sou encantado pelo Centro, e a empresa está prospectando outras oportunidades para lançar na região, seja na planta ou ‘retrofit’”, adianta Tarcio Barbosa, diretor Comercial da Canopus. residencial que será lançado na Avenida Graça Aranha, com estúdios e apartamentos. Acima, detalhe da fachada e vista do “rooftop” — Foto: PATRIMAR/DIVULGAÇÃO