No recém-lançado álbum Agudo Grave, Zélia Duncan critica a Inteligência Artificial na canção E aí, IA?, assinada com Alberto Continentino. Na música, a cantora e compositora evoca os sentimentos humanos que a tecnologia não pode alcançar.

“Se falei da IA é porque eu estava chatea­da com ela”, justifica Zélia Duncan, de 61 anos, em entrevista a CartaCapital. A presença de músicas feitas por Inteligência Artificial nas plataformas, diz a cantora, é especialmente irritante porque os ­streamings “pagam muito mal” aos artistas e estão gostando da IA: “É o fim da picada”.

Agudo Grave sai cinco anos após o último álbum da artista, ­Pelespírito (2021), só com composições feitas em parceria com o pernambucano Juliano Holanda. O intervalo, segundo ela, também tem a ver com as novas dinâmicas da tecnologia – que mudaram muito o mercado de música.

“Estava desanimada de gravar. A ­internet é uma ilusão, onde tudo é diluído muito rapidamente”, justifica, ecoando muitos artistas de sua geração. “Mas tenho o privilégio de poder fazer um disco do meu jeito. Agora pago meus preços para fazer só o que eu quero.”

Neste caso, isso significou, por exemplo, entregar a produção do álbum a Maria Beraldo, cantora, compositora e arranjadora talentosa da nova geração, que lançou dois discos considerados experimentais. Zélia e Maria haviam feito juntas, no ano passado, um projeto para o Sesc sobre a obra de Tom Jobim.