Sete milhões de músicas por dia: é esta a estimativa da Billboard para o volume gerado por uma única ferramenta de inteligência artificial, a Suno, já no final do ano passado. Um ritmo de produção que equivale, a cada duas semanas, à totalidade do catálogo do Spotify.Ao mesmo tempo, na plataforma de streaming francesa Deezer, quase metade das músicas novas que entram todos os dias já é feita por IA. E, em alguns casos, até 85% das reproduções dessas faixas são feitas por bots.Nunca se produziu tanta música e nunca foi tão difícil perceber de onde vem.Num estudo recente, a Deezer convidou nove mil pessoas a distinguir músicas feitas por humanos de músicas geradas por inteligência artificial. O resultado: 97% não conseguiram distinguir.A diferença deixou de ser audível. A IA consegue, cada vez mais, fazer música que soe “bem”. O suficiente para passar despercebida, para encaixar numa playlist, para funcionar como fundo. E, às vezes, o suficiente para conseguir contratos milionários: a artista de IA Xania Monet, por exemplo, assinou recentemente um contrato de três milhões de dólares com a editora norte-americana Halwood Media.Toda a lógica do streaming parece favorecer este tipo de música: funcional, indistinta, fácil de produzir, fácil de consumir. Música que não exige atenção e que, por isso, também não precisa de autor.Se uma máquina consegue fazer isso de forma mais eficaz do que um humano, o que acontece a seguir?No último episódio desta temporada do “Como Assim?”, tentamos perceber exactamente isso: o que muda quando desaparece a fronteira entre o humano e a máquina. O que é que ainda procuramos quando ouvimos música? E que valor lhe damos?No meio desta inundação, a inteligência artificial pode, afinal, estar a fazer-nos um favor?Siga o podcast #ComoAssim e receba cada episódio quinzenalmente, à quarta-feira, no Spotify, na Apple Podcasts ou noutras aplicações para podcasts.Conheça os podcasts do PÚBLICO em publico.pt/podcasts. Tem uma ideia ou sugestão? Envie um email para podcasts@publico.pt.
A música está a ser invadida por IA. E se for uma boa notícia? — Como Assim
Nunca se produziu tanta música — e nunca foi tão difícil perceber de onde vem. Com a IA a invadir o streaming, a questão pode já não ser se é um problema, mas o que fazer com ele.













