O cientista político Jairo Nicolau, professor do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil DAFGV, é uma das principais referências no campo dos estudos eleitorais e partidários no Brasil. Já brindou o público com livros e artigos fundamentais sobre os sistemas partidário e eleitoral, brasileiros e em geral. Com foco em nossas eleições presidenciais desde 2002, seu novo livro conjuga à ciência política a sociologia e a demografia.
Tal enfoque requereu circunscrever o período de análise ao vintênio iniciado na primeira eleição de Lula e concluído em sua condução ao terceiro mandato, pois foi a partir de 2002 que duas fontes de informações fundamentais para a pesquisa ficaram disponíveis. No atinente ao perfil sociodemográfico do eleitorado, a Justiça Eleitoral passou a colher o conjunto de dados que Nicolau cruza. No concernente às mudanças de preferências políticas nos diferentes segmentos da clivagem social, começou a ser feito o Estudo Eleitoral Brasileiro, um survey pós-eleitoral conduzido pelo Centro de Estudos de Opinião Pública da Unicamp e largamente utilizado por pesquisadores dedicados à temática.
Nicolau também atribui a decisão pelo recorte temporal a diferenças no modo como as eleições presidenciais ocorreram a partir de 2002: todos votando em urnas eletrônicas e pleitos resolvidos só em dois turnos. E, como optou por analisar apenas disputas de segundo turno, a delimitação temporal igualmente se justificava. Esse não foi um período qualquer. Em duas décadas, mudou bastante a população – e, logo, o eleitorado. Ademais, foi uma quadra histórica de eventos políticos impactantes, gerando eleitores não apenas social e demograficamente distintos, mas politicamente transformados – e, portanto, votando diferentemente ao longo do tempo em disputas presidenciais.











