PUBLICIDADE Newsletter semanal do jornalista Thiago Prado mostra que, após ser procurado pelo filho e aliado de Flávio, o ex-governador do Rio de Janeiro mudou de postura de olho na candidatura ao Palácio Guanabara 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Anthony Garotinho — Foto: Brenno Carvalho/5-9-2018 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/07/2026 - 22:03 Rumores e Alianças Políticas: Garotinho e Vídeos Polêmicos no RJ A newsletter "Jogo Político", de Thiago Prado, destaca as recentes movimentações de Anthony Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro, em meio a rumores de vídeos comprometedores de festas promovidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Garotinho, que busca se candidatar ao governo do Rio, negou a presença de Flávio Bolsonaro em tais eventos após ser procurado pelo filho Wladimir, aliado de Flávio. As tensões familiares e políticas entre Garotinho e Wladimir refletem as complexas alianças e rivalidades dentro do cenário político fluminense. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Este conteúdo faz parte da newsletter Jogo Político, de Thiago Prado, editor de Política e Brasil do GLOBO. Inscreva-se e receba todas as quintas-feiras diretamente no seu e-mail. Na última quarta-feira, o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) tomou café da manhã em um hotel na Zona Sul do Rio com um enviado do senador Flávio Bolsonaro (PL) interessado em saber que denúncias ele tinha contra o presidenciável. Um corte de vídeo de Garotinho havia viralizado no início da semana após ser repostado por Michelle Bolsonaro em seu Instagram no auge da guerra da madrasta com os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nele, o ex-governador disse ter tido acesso a imagens de uma festa chamada “Noite das Astronautas”, promovida pelo banqueiro Daniel Vorcaro, com autoridades e mulheres estrangeiras nuas usando capacetes. O interlocutor que gastou a manhã tentando arrancar informações de Garotinho foi o seu próprio filho, o ex-prefeito de Campos dos Goytacazes Wladimir, filiado ao PL de Flávio desde abril e alçado ao posto de coordenador da campanha do filho de Bolsonaro no Norte do estado. O rumor de registros da presença do senador na festa cresceu no mundo político porque Garotinho disse que nas gravações de 12 minutos existem “deputados, senadores e governadores, homens que defendem a família”. Embora negue a presença em eventos de Vorcaro, o próprio Flávio alimentou a expectativa de vazamentos comprometedores — em entrevista à CNN em maio, admitiu que poderia haver um “videozinho” dele com o dono do Master. A “Noite das Astronautas” foi citada na representação feita pela Polícia Federal (PF) para embasar a oitava fase da operação Compliance Zero, que em maio fez busca e apreensão contra o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL). Segundo a investigação, Vorcaro gastou US$ 721 mil em uma festa com russas e ucranianas em uma suíte presidencial de Nova York. Os dados da PF contrastam com a descrição que Garotinho faz do vídeo que diz ter. Em entrevistas no YouTube para o Brasil 247 e o Flow News, o ex-governador afirmou que as imagens nas suas mãos exibem um evento realizado em uma praia. Como sempre lembra da divulgação histórica que fez da “Farra dos Guardanapos”, em 2012, expondo fotos do ex-governador Sérgio Cabral e seus secretários em Paris, Garotinho se coloca em conversas com jornalistas na posição de autoridade quando o assunto são festas envolvendo poderosos. Assim, acaba pouco questionado sobre as suas contradições. Cerca de 24 horas depois da conversa com o filho, um Garotinho bem diferente apareceu nas redes sociais. O ex-governador publicou vídeo em seu Instagram negando a presença de Flávio na “Noite das Astronautas”. Disse ainda que se sentiu usado na guerra familiar entre Michelle Bolsonaro e seus enteados. Wladimir não obedeceu. Renunciou à prefeitura de Campos, se filiou ao PL para se candidatar a deputado e, agora, um dos principais argumentos do Republicanos para frear a candidatura a governador de Garotinho é que a sigla precisa dele para aumentar a bancada em Brasília. Desde abril, o ex-governador diz não aceitar a missão de enfrentar o próprio filho em uma eleição proporcional. Filiada ao Republicanos, a filha e ex-deputada federal Clarissa Garotinho também rejeita a ideia de voltar para Brasília. Migrou para a iniciativa privada e hoje é consultora da Seta, a empresa de relações governamentais da FSB. No PL do Rio, há dúvidas sobre o efeito da candidatura Garotinho para a campanha a governador do presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas. Há quem defenda a necessidade de ele disputar para garantir o segundo turno e aqueles que consideram arriscado deixar participar de debates alguém que faz dossiês sobre políticos fluminenses há mais de duas décadas. Alguns deles com a ajuda de Álvaro Lins, ex-chefe da Polícia Civil do Rio. Recomendo 'O país dividido' No livro que acaba de lançar o grande mérito está na análise de números das disputas eleitorais brasileiras nos últimos vinte anos e a capacidade de escrever fácil e com texto direto. Fiquei surpreso com algumas informações sobre o perfil de quem se absteve de votar em duas décadas. Normalmente atribuímos a ausência nas urnas ao desinteresse por política. Mas há outros fatores, e é impossível aferir qual a hierarquia entre esses fatores. "A abstenção no Brasil decorre de uma combinação de fatores, como a não-transferência do título para um novo domicílio eleitoral, o trabalho no dia da eleição, problemas de saúde ou dificuldades de deslocamento até o local de votação". O autor sai do lugar comum de achar o eleitor de escolaridade baixa de alienado e aponta outra hipótese para a maior presença de eleitores com ensino médio e superior completos: "Punições aplicadas a quem não vota e não justifica a ausência não afetam todos os brasileiros da mesma maneira. Eleitores com ensino médio e superior completo têm maior probabilidade de ser impactado pelas duas principais situações em que é exigido o comprovante da quitação eleitoral: solicitar ou renovar o passaporte e ao inscrever-se em concursos públicos".