Parece haver uma contradição entre o cenário eleitoral do Brasil e a inclinação ideológica dos brasileiros, tal como captada por recente pesquisa do instituto Datafolha.
No campo da política, o país tem assistido a uma disputa entre apenas dois atores relevantes: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), sempre associados, respectivamente, à esquerda e à direita. Não surge, nos levantamentos sobre intenção de voto, nenhuma candidatura viável fora dessa polarização.
Em contraste, a matriz ideológica registrada pelo Datafolha aponta uma situação distante desse antagonismo maniqueísta.
Primeiro, porque as pessoas identificadas com a esquerda (13%) e com a direita (15%) compõem blocos minoritários. Além disso, o somatório dos grupos formados por centro (17%), centro-esquerda (26%) e centro-direita (29%) resulta em um "centro expandido" que aglutina expressivos 72% dos entrevistados.
E é interessante notar que, desde 2013, quando se realizou a primeira edição da matriz ideológica do Datafolha, repete-se o mesmo quadro, com cerca de 3 a cada 4 brasileiros alocados em uma dessas três posições de centro.







