Ex-deputado federal foi um dos alvos de mandados de busca e apreensão na nova fase da Unha e Carne; ação apura possível pagamento de propina do contraventor Adilsinho a agentes políticos do Rio 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Marco Antônio Cabral, alvo de mandado de busca e apreensão — Foto: Reprodução / Instagram @marcoantoniocabral RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/07/2026 - 16:40 Marco Antônio Cabral é Alvo de Operação por Suspeita de Propina Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, foi alvo de mandados de busca e apreensão na operação Unha e Carne, que investiga suposto pagamento de propina por parte do contraventor Adilsinho a políticos do Rio de Janeiro. Exonerado da Alerj, Marco nega envolvimento em crimes. Ex-deputado federal e ex-secretário de Esporte, Marco é pré-candidato à Alerj pelo Solidariedade, destacando sua trajetória política e projetos do governo Cabral. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, é um dos alvos dos mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira. A nova fase da Operação Unha e Carne foi realizada após uma lista de nomes ser encontrada ao lado da cama do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, preso em fevereiro. A suspeita é de um possível pagamento de propina a agentes políticos do estado. Mandados de prisão foram expedidos contra Adilsinho, Rodrigo Bacellar (ex-presidente da Alerj) — ambos presos anteriormente — e Márcio Poncio, pastor e empresário encontrado num flat na Barra da Tijuca. Pré-candidato a deputado estadual pelo Solidariedade, Marco Antônio nega "qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou o recebimento de valores de origem ilícita", segundo nota divulgada pela sua defesa. Após se eleger como deputado federal pelo MDB em 2014, o filho do ex-governador Sérgio Cabral concorreu à Câmara dos Deputados em outros dois pleitos (2018 e 2022) pelo mesmo partido, mas acabou apenas como suplente. Neste ano, a tentativa de Marco Antônio será por uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Casa presidida pelo pai no fim dos anos 1990 e instituição em que esteve empregado até o início deste ano. A nomeação de Marco Antônio na Alerj ocorreu em março de 2023, inicialmente no Departamento de Arquivo da Casa. Sua exoneração, já como assistente da presidência da Assembleia, ocorreu em 6 de janeiro deste ano, poucos dias após Rodrigo Bacellar (União) — preso em dezembro pela PF, mas solto por decisão do plenário da Alerj — ser afastado da presidência, após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante o afastamento de Bacellar, quem respondeu interinamente pela Assembleia Legislativa foi o deputado Guilherme Delaroli (PL), que, em um dos atos, exonerou mais de 200 pessoas. Entre eles, estava Marco Antônio, que recebia salário de R$ 9,7 mil e era responsável pela interlocução com prefeitos e vereadores. O ato, na ocasião, foi tratado como um recado político para desmontar estruturas antigas na Assembleia. A rede de influência mirada, na ocasião, removeu pelo menos 17 funcionários que seriam ligados ao ex-governador Sérgio Cabral, que presidiu a Alerj entre 1995 e 2003. Na ocasião, Cabral declarou não ter ingerência sobre as decisões administrativas da Casa. A presidência alegou que os desligamentos seguiam "o curso natural da transição na presidência", tendo como "objetivo aprimorar a gestão e, consequentemente, os serviços prestados à população". Nomeação de condenado por assassinato de advogado Durante o período nomeado na Alerj, Marco Antônio foi apontado ainda como o responsável por indicar a nomeação de Cezar Daniel Mondego como servidor da Casa. O assunto veio à tona quando o funcionário da Assembleia foi preso, por suspeita de participar do assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo em fevereiro de 2024, que estaria sendo monitorado por interesse do jogo do bicho, quadrilha da qual Adilsinho é apontado como integrante, segundo o Ministério Público. Neste ano, Mondego foi condenado a 30 anos de prisão. Na ocasião do crime, os bastidores da Alerj indicavam que a indicação de Cezar Mondego teria partido de Marco Antônio, com quem teria ligação política. Na ocasião, o ex-deputado negou ter feito a indicação, mas confirmou que conhecia Mondego desde 2012, quando ele lhe foi apresentado como uma liderança política de Higienópolis, na Zona Norte do Rio. No entanto, Marco Antônio alegou não ter "relação de intimidade" com o servidor preso. Bacellar, por sua vez, Mondego tinha ligação com Marco Antônio, mas afirmou não saber quem havia feito sua nomeação para a Alerj. Também circularam relatos de bastidores de que os dois teriam se reunido após a prisão do servidor para tratar do desgaste político provocado pelo caso. Marco Antônio negou que esse encontro tenha ocorrido, à época. Uma sessão na Alerj chegou a contar com cercadinho e até seguranças protegendo os deputados, um dia após o então presidente da Casa ser procurado para responder quem havia indicado Mondego para o cargo. Eleito em 2014, ex-secretário de Esporte, vascaíno e ritmista Marco Antônio Neves Cabral foi eleito com 119,5 mil votos em 2014. Durante o mandato, acabou se licenciando para exercer a função de secretário estadual de Esporte, Lazer e Juventude do Rio durante o governo de Luiz Fernando Pezão, que havia sido vice durante os dois mandatos de Sérgio Cabral. Pezão assumiu o Palácio Guanabara em 2014, quando Cabral renunciou ao cargo e apoiou a reeleição do antigo vice ao governo. Então com 23 anos, Marco Antônio era vice-presidente do MDB quando eleito para seu primeiro cargo público. Ex-aluno do Colégio Santo Inácio, o ex-deputado é advogado de formação pela PUC-Rio e filho de Sérgio Cabral com Susana Neves. Pelas redes sociais, ele aponta que sua trajetória começou aos 11 anos, quando "acompanhava de perto campanhas políticas". "Com o passar dos anos fui construindo meu caminho dentro da política, sempre conectado com a juventude e com as transformações sociais", escreveu. Quando assumiu a presidência nacional da juventude do MDB — partido em que esteve filiado por 18 anos —, Marco Antônio tratou esse como um passo que o "consolidou entre as novas lideranças do país". Em 6 de abril, o ex-deputado federal anunciou sua filiação ao Solidariedade, mesmo partido da deputada estadual Sarah Poncio, filha de Márcio Poncio, preso nesta quinta-feira. Nos últimos dias, o pré-candidato a deputado estadual no Rio tem feito publicações ao lado do pai, relembrando obras atribuídas ao governo de Sérgio Cabral. Numa das publicações, ele exaltou as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). "A Zona Oeste foi a região do estado com o maior número de UPAs 24 horas inauguradas no nosso governo", escreveu Marco Antônio. O Poupa Tempo, assim como unidades de hospital e delegacias também são apresentadas como feitos da família Cabral nas postagens. Sérgio Cabral e Marco Antônio Cabral na porta de uma UPA — Foto: Reprodução / Instagram Vascaíno, assim como o pai e o avô, o jornalista Sérgio Cabral, que morreu em 2024, aos 87 anos, Marco Antônio também aponta o samba como uma de suas paixões. No último carnaval, ele desfilou na Marquês de Sapucaí como um dos componentes da Swingueira de Noel, como é apelidada a bateria da Unidos de Vila Isabel.