Ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado foi alvo de busca e apreensão, suspeito de envolvimento com lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis Márcio Canella era aliado do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União Brasil), que está preso — Foto: Octacílio Barbosa/Alerj A operação da Polícia Federal (PF) que mira o ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado Márcio Canella (União Brasil) se baseou no trabalho feito pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) no Rio de Janeiro. O relatório de inteligência financeira (RIF) que fundamentou a ação foi produzido pela equipe do órgão financeiro no Estado fluminense, que, desde sexta-feira (3), passou a ter um escritório no Rio. Canella foi alvo de busca e apreensão nesta terça-feira (7), suspeito de envolvimento num esquema de lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis na região metropolitana fluminense. O RIF produzido pelo Coaf indicou uma movimentação suspeita do esquema de mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. Além de Canella, também é alvo da PF o delegado Marcus Amim, ex-secretário da Polícia Civil no governo de Cláudio Castro (PL). Apesar do escritório do Coaf no Rio ter sido aberto na última semana, as equipes do órgão financeiro estão desde março trabalhando no Estado. O relatório de inteligência financeira que identificou o esquema já foi produzido no Rio em parceria com as equipes de Brasília, conforme afirmam fontes a par das investigações. A nova estrutura do Coaf na capital fluminense faz parte do projeto de expansão do conselho pelo país para o combate às facções e organizações criminosas. O objetivo é ter uma atuação mais presente pelo Brasil na asfixia financeira do crime. Além do Rio, também foi aberto um escritório do Coaf em São Paulo, e uma nova sede também vai ser inaugurada em Foz do Iguaçu, no Paraná. Os três lugares foram escolhidos por suas particularidades: São Paulo, por ser o principal polo financeiro do país; o Rio pela sua importância na economia brasileira e pela proximidade espacial com o crime organizado; e Foz por conta da Tríplice Fronteira. O escritório no Rio é coordenado pelo delegado federal Tacio Muzzi, que foi superintendente da Polícia Federal no Estado fluminense de maio de 2020 a julho de 2023. A operação da PF no Rio desta terça-feira faz parte da 6ª fase da Operação Unha e Carne, que mira o envolvimento de agentes públicos com organizações criminosas. São 19 mandados de busca e apreensão nas cidades de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende, e na capital fluminense. Tanto Canella quanto Amim eram aliados próximos do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União Brasil), preso em presídio federal por suspeitas de envolvimento com o Comando Vermelho (CV). De acordo com a PF, Bacellar não é alvo de investigação nesta fase da Operação Unha e Carne. Procurado, Canella ainda não se manifestou. A reportagem ainda não conseguiu contato com Amim.