0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pesquisa mostra que emissão de títulos sustentáveis (incluindo verdes, sociais e de sustentabilidade) ainda não cumpre as melhores práticas para evitar risco de greenwashing — Foto: Pixabay RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/07/2026 - 16:50 Estudo aponta falhas na verificação de riscos de títulos verdes no Brasil A pesquisa da SIS revela falhas na verificação de riscos socioambientais em títulos verdes, mesmo com US$ 31,1 bilhões emitidos desde 2015. Bancos cumprem apenas 17,5% das diligências mínimas da Taxonomia Sustentável Brasileira, enquanto empresas de agronegócio e setor elétrico também mostram lacunas significativas. A ausência de normas obrigatórias e o risco de greenwashing são destacados, exigindo maior rigor e credibilidade. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Importantes instrumentos para a transição da economia rumo a um modelo mais sustentável, os títulos sustentáveis (incluindo verdes, sociais e de sustentabilidade) —que já totalizam US$ 31,1 bilhões em emissões no mercado externo desde 2015, segundo o Banco Central — ainda apresentam falhas significativas na verificação de riscos socioambientais. Mesmo que não haja descumprimento de obrigação legal, existem brechas que permitem que recursos captados junto a investidores sejam direcionados a empresas envolvidas em irregularidades ambientais e sociais, sem que esses riscos sejam adequadamente identificados. A conclusão é de um estudo inédito da Associação Soluções Inclusivas Sustentáveis (SIS), que avaliou os frameworks de 22 instituições financeiras emissoras de títulos sustentáveis, além das políticas e instrumentos adotados por 37 empresas dos setores de agropecuária, alimentos, bebidas e biocombustíveis e por 32 empresas do setor elétrico que emitiram títulos ASG (Ambiental, Social e Governança) entre 2021 e 2025. Para a análise, o estudo utilizou como referência as diligências consideradas mínimas estabelecidas pela Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB), lançada pelo governo federal em outubro do ano passado. O sistema estabelece critérios para classificar quais atividades econômicas, ativos e projetos podem ser considerados sustentáveis. Com base nesses parâmetros, a pesquisa concluiu que, em média, os bancos cumprem apenas 17,5% das diligências socioambientais consideradas mínimas pela TSB. Entre as empresas dos setores ligados ao agronegócio, esse percentual cai para 13%. Já no setor elétrico, aponta o levantamento, tem um terço das companhias que emitiram títulos verdes, sociais ou sustentáveis nos últimos cinco anos envolvidas em controvérsias socioambientais. O estudo também mostra que, entre as empresas, são raras as verificações sobre fornecedores da cadeia produtiva, processos judiciais, investigações do Ministério Público e outros indicadores relevantes para prevenir práticas de greenwashing. — Os resultados mostram que o mercado brasileiro de títulos verdes, sociais e sustentáveis avançou em volume, mas ainda não incorporou mecanismos de diligência compatíveis com os riscos socioambientais envolvidos. Em muitos casos, recursos captados com o compromisso de gerar benefícios ambientais e sociais podem estar sendo direcionados a empresas ou cadeias produtivas sem uma verificação adequada de passivos ambientais, conflitos territoriais ou descumprimento da legislação — afirma Luciane Moessa, diretora-executiva e técnica da SIS e coordenadora da pesquisa. Luciane explica que nunca existiu uma norma que obrigasse as emissões de títulos sustentáveis a atender aos critérios da Taxonomia Sustentável Brasileira. Ela ressalta, porém, que o sistema segue as melhores práticas internacionais e representa um instrumento fundamental para conferir maior credibilidade a essas emissões. — Mesmo sem ser uma obrigação legal, esses critérios deveriam ser adotados pelas instituições. O cenário atual é de diligência socioambiental insuficiente. Fortalecer esses mecanismos é fundamental para dar credibilidade ao mercado, alinhar as emissões às salvaguardas da Taxonomia Sustentável Brasileira e reduzir o risco de greenwashing — afirma. Veja o que a pesquisa mostra de cada setor: Instituições financeiras A pesquisa mostra que as instituições financeiras realizam, em média, apenas 4,2 das 24 diligências consideradas mínimas para identificar riscos ambientais e sociais, o equivalente a 17,5% dos critérios recomendados. No controle do desmatamento, menos de um terço dos bancos (27,8%) consulta informações sobre supressão de vegetação em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Apenas 16,7% verificam ocorrências de desmatamento sem autorização e somente 11,1% utilizam bases independentes de monitoramento, como MapBiomas e INPE. Outro resultado relevante do estudo é a baixa atenção ao histórico de infrações e passivos ambientais. Apenas 11,1% das instituições consultam autos de infração do Ibama, embargos ambientais federais ou registros de infrações em órgãos ambientais estaduais. A única diligência adotada por mais da metade das instituições é a consulta ao cadastro de empregadores envolvidos com trabalho análogo à escravidão, realizada por 83,3% dos bancos. Todas as demais verificações aparecem em menos da metade das instituições e, em muitos casos, praticamente não são realizadas. Setor agropecuário No setor de agropecuária, alimentos, bebidas e biocombustíveis, as empresas realizam, em média, apenas três das 24 diligências socioambientais consideradas essenciais para avaliar fornecedores, o equivalente a 12,5% das verificações recomendadas. Assim como ocorre entre as instituições financeiras, a única verificação adotada por mais da metade das empresas avaliadas (57,5%) é a consulta ao cadastro de empregadores envolvidos com trabalho análogo à escravidão. Na sequência aparecem a verificação de áreas embargadas pelo Ibama e pelo ICMBio, adotada por 27,5% das companhias, e a checagem de sobreposição com terras indígenas, presente em 25% delas. O monitoramento de desmatamento em APPs e Reservas Legais por meio do Cadastro Ambiental Rural é realizado por apenas 22,5% das empresas, enquanto somente 7,5% utilizam bases independentes, como MapBiomas e Inpe. Nenhuma das empresas analisadas consulta processos judiciais em matéria socioambiental nas Justiças Federal e Estadual, nem verifica procedimentos ou investigações conduzidos pelo Ministério Público Federal ou pelos Ministérios Públicos estaduais. Além disso, 92,5% não consultam procedimentos junto ao Ministério Público do Trabalho; 90% não realizam pesquisas de mídia para identificar passivos socioambientais; 82,5% não promovem verificações in loco; e 90% não fazem auditorias socioambientais. Setor elétrico No setor elétrico, os resultados também revelam lacunas importantes em temas centrais para a transição energética. O levantamento aponta pouca atenção à gestão de riscos climáticos, aos impactos sobre a biodiversidade e ao relacionamento com comunidades afetadas pelos empreendimentos. Quase metade das empresas do setor (46,9%) possui investigações ou procedimentos em andamento no Ministério Público, sendo que 40,6% respondem a procedimentos no Ministério Público do Trabalho. Além disso, 28,1% das companhias possuem processos na Justiça Federal relacionados a questões socioambientais, e o mesmo percentual registra infrações em órgãos ambientais estaduais.
Pesquisa alerta para lacunas na verificação de riscos em títulos verdes
Pesquisa alerta para lacunas na verificação de riscos em títulos verdes










