Rússia concentra 1,4 milhão das baixas registradas desde a invasão de 2022 e perdeu mais território do que conquistou em abril e maio, segundo levantamento 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Familiares e amigos de Vasyl Ratushnyi, um soldado ucraniano morto em 27 de fevereiro de 2025 em um ataque de drone, reúnem-se na Praça Maidan durante seu funeral em Kiev, Ucrânia, em 5 de março de 2025 — Foto: Nicole Tung / The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/07/2026 - 14:45 Estudo Revela 2 Milhões de Baixas no Conflito Rússia-Ucrânia Um estudo do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais revela que mais de 2 milhões de militares russos e ucranianos morreram ou ficaram feridos desde a invasão russa à Ucrânia em 2022. A Rússia, que sofreu 1,4 milhão de baixas, perdeu mais território do que conquistou recentemente. O conflito, que continua a impactar a população russa e a estratégia militar ucraniana, é alvo de debates internacionais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Mais de 2 milhões de militares russos e ucranianos foram mortos ou feridos nos quatro anos de guerra travada pela Rússia contra seu país vizinho, segundo um novo estudo — um marco sombrio à medida que a ofensiva russa se arrasta. O levantamento, publicado na quarta-feira pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês), em Washington, afirma que a Rússia sofreu as perdas mais pesadas, com 1,4 milhão de militares mortos ou feridos desde fevereiro de 2022, quando invadiu a Ucrânia. Do total de baixas russas, 450 mil militares morreram — número quatro vezes maior do que o total de mortes de soldados americanos em todas as guerras travadas pelos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial. As forças ucranianas sofreram entre 525 mil e 625 mil baixas, incluindo de 125 mil a 150 mil mortos, segundo o estudo. Autoridades alertam que os números de baixas têm sido difíceis de estimar ao longo do conflito porque Moscou é acusada de subnotificar sistematicamente seus mortos e feridos, enquanto a Ucrânia não divulga seus dados oficiais. O estudo se baseou, entre outras fontes, em estimativas dos governos dos EUA e do Reino Unido. Um soldado ucraniano na cidade sitiada de Kostiantynivka, no leste do país, em 8 de janeiro de 2026 — Foto: Tyler Hicks / The New York Times Ainda assim, os números oferecem um retrato sombrio do lento avanço russo na Ucrânia, com tropas russas avançando em algumas áreas a menos de 50 metros por dia. Em fevereiro, a Ucrânia recuperou mais território do que perdeu pela primeira vez desde 2023, ao lançar uma ofensiva no sul do país, afirmam os analistas. "As forças russas perderam mais território do que conquistaram em abril e maio, registrando uma perda líquida de cerca de 400 quilômetros quadrados e suas primeiras perdas territoriais líquidas mensais desde agosto de 2024", afirma o estudo, classificando o resultado como mais um sinal das dificuldades militares da Rússia. A Ucrânia recebeu uma ajuda inesperada em fevereiro, quando o bilionário Elon Musk bloqueou o uso do serviço de internet via satélite Starlink pelas tropas russas. Segundo os analistas, isso proporcionou às forças ucranianas um breve alívio dos ataques de drones e maior facilidade de movimentação. Os russos superam os ucranianos no campo de batalha por uma proporção próxima de três para um, e a Rússia dispõe de uma população maior para repor suas tropas. Assim, embora o estudo estime um número absoluto menor de perdas ucranianas, a Ucrânia está perdendo uma parcela maior de seu exército, que é menor. Segundo analistas militares, mais de 400 mil russos enfrentam cerca de 250 mil ucranianos na linha de frente. A Rússia conseguiu manter seus efetivos apesar das elevadas baixas ao realizar seu primeiro recrutamento militar obrigatório desde a Segunda Guerra Mundial e ao incorporar condenados e pessoas endividadas às forças armadas, entre outras estratégias. O presidente russo, Vladimir Putin, também ofereceu incentivos financeiros a novos recrutas e pressionou pessoas acusadas de crimes a se alistarem em troca do arquivamento de processos. Além disso, em 2024 e 2025, a Coreia do Norte enviou mais de 10 mil soldados para ajudar a Rússia a retomar o controle da região de Kursk, no oeste do país, onde a Ucrânia havia conquistado território. O estudo afirma que, em 2026, as taxas mensais de baixas russas, entre 30 mil e 34 mil soldados, provavelmente superaram as taxas de recrutamento, estimadas em cerca de 27 mil novos combatentes por mês. Veja fotos de uma das maiores ofensivas aéreas da Ucrânia contra a Rússia desde o início da guerra 1 de 10 Fumaça sobe da área da refinaria de petróleo russa Gazprom Neft em Moscou, na periferia sudeste de Moscou, em 18 de junho de 2026 — Foto: AFP 2 de 10 Fumaça toma os céus de Moscou durante bombardeio ucraniano nesta quinta-feira — Foto: AFP X de 10 Publicidade 10 fotos 3 de 10 Pessoas caminham em um parque enquanto fumaça sobe da área da refinaria de petróleo russa Gazprom Neft em Moscou, na periferia sudeste de Moscou, em 18 de junho de 2026 — Foto: AFP 4 de 10 Fumaça sobe da área da refinaria de petróleo russa Gazprom Neft em Moscou, na periferia sudeste de Moscou, em 18 de junho de 2026 — Foto: AFP X de 10 Publicidade 5 de 10 Mulher caminha do lado de fora de um shopping center enquanto fumaça preta sobe da área da refinaria de petróleo da Gazprom Neft, produtora russa, nos arredores de Moscou — Foto: AFP 6 de 10 Fumaça sobe da área da refinaria de petróleo russa Gazprom Neft em Moscou, na periferia sudeste de Moscou, em 18 de junho de 2026 — Foto: AFP X de 10 Publicidade 7 de 10 Pessoas são vistas do lado de fora de um shopping enquanto fumaça sobe da área da refinaria de petróleo russa Gazprom Neft em Moscou, na periferia sudeste de Moscou, em 18 de junho de 2026 — Foto: AFP 8 de 10 Um homem tira fotos de uma ponte sobre o rio Moskva enquanto fumaça sobe da área da refinaria de petróleo russa Gazprom Neft em Moscou, na periferia sudeste de Moscou, em 18 de junho de 2026 — Foto: AFP X de 10 Publicidade 9 de 10 Uma mulher caminha em uma localidade residencial enquanto a fumaça sobe da área da refinaria de petróleo russa Gazprom Neft em Moscou, na periferia sudeste de Moscou, em 18 de junho de 2026 — Foto: AFP 10 de 10 Fumaça sobe da área da refinaria de petróleo russa Gazprom Neft em Moscou, na periferia sudeste de Moscou, em 18 de junho de 2026 — Foto: AFP X de 10 Publicidade Série de ataques ucranianos contou com mais de 500 drones O relatório é divulgado em um momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, tem se afastado em grande parte do conflito. Durante uma cúpula na França no mês passado, Trump deixou claro que a guerra, que ele já afirmou poder encerrar em 24 horas, não está entre suas prioridades. — Veja, nós não temos nada a ver com isso — disse Trump, na ocasião. — Isso não tem impacto sobre nós, exceto pelo fato de vendermos armas para a Ucrânia. Trump passou a apresentar o envolvimento americano na Ucrânia mais como uma missão humanitária do que como um esforço para proteger um aliado, citando o número de baixas tanto da Ucrânia quanto da Rússia como motivo para querer encerrar a guerra. Um prédio residencial danificado por um ataque de drone ucraniano em Moscou, em 17 de maio de 2026 — Foto: Nanna Heitmann / The New York Times Os apoiadores da Ucrânia, incluindo membros do Congresso americano, afirmam que impedir uma vitória russa também é necessário para evitar que um Putin fortalecido ataque outros aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A guerra na Ucrânia deverá ser discutida em uma cúpula da Otan marcada para terça-feira em Ancara, na Turquia. Segundo o estudo, sem mais pressão dos EUA e da Europa sobre a Rússia, Putin continuará a guerra, apesar das pesadas perdas. O levantamento também destaca que a Ucrânia tem levado cada vez mais o conflito para dentro do território russo por meio do uso de drones, mísseis e uma campanha aérea cada vez mais eficaz. No mês passado, a Ucrânia lançou seu maior ataque com drones contra Moscou desde o início da guerra. E nesta semana, promoveu novos ataques com drones, incluindo ações contra a capital russa e a Crimeia, península anexada por Moscou em 2014. No total, a Rússia afirmou ter derrubado 419 drones, segundo comunicado do Ministério da Defesa russo. — A Rússia enfrenta, de longe, seu período mais sombrio da guerra desde a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022 — afirma Seth Jones, um dos autores do estudo. — A guerra chegou ao cotidiano dos russos, que pagam o preço do conflito de Putin com uma economia enfraquecida, preços em disparada, um número crescente de sacos mortuários retornando da linha de frente e ataques de drones em cidades russas.