Número oficial inclui 35 óbitos e 92 desaparecimentos em combate comunicados formalmente pelos governos dos dois países; chancelaria reforça alerta contra alistamento voluntário 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Uma unidade de artilharia do Exército Ucraniano se prepara para disparar contra posições russas em direção à linha de frente perto de Pokrovsk, Ucrânia, em 21 de dezembro de 2025 — Foto: Tyler Hicks/The New York Times O Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou que recebeu notificações oficiais sobre 127 brasileiros mortos ou desaparecidos desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022. Segundo dados atualizados da pasta, foram registrados 35 mortes e 92 casos de brasileiros considerados desaparecidos por autoridades russas e ucranianas. A atualização representa um aumento em relação aos números divulgados no início de fevereiro, em que foram contabilizados 22 brasileiros mortos e 44 desaparecidos no conflito. Em junho o número havia subido para 33 mortos e 86 desaparecidos. Diante do avanço dos casos, o Itamaray voltou a reforçar o alerta para que brasileiros recusem ofertas de recrutamento para atuar em forças armadas estrangeiras. O ministério afirma que tem registrado um aumento de número de nacionais que morrem em conflitos internacionais e também de pessoas, que, após se alistarem, enfrentam dificuldades para deixar os exércitos dos quais passaram a fazer parte. “A assistência consular, nesses casos, pode ser severamente limitada pelos termos dos contratos assinados entre os alistados e as forças armadas de terceiros países. Não há obrigatoriedade por parte do poder público para o pagamento de passagens ou o custeio de retorno de cidadãos do exterior”, diz o Itamaraty. Além dos riscos à vida, o Itamaraty chama atenção para possíveis consequências jurídicas. De acordo com o ministério, brasileiros que se alistam em forças estrangeiras podem responder criminalmente, inclusive no Brasil, com base no artigo 7º do Código Penal, que prevê a aplicação da legislação brasileira a determinados crimes cometidos por nacionais no exterior. Em junho um caso ganhou repercussão, o do paraense Herik Ferreira Soares, de 23 anos, capturado por forças russas durante a guerra. Em vídeo divulgado após a prisão, o brasileiro afirmou que viajou à Ucrânia acreditando que trabalharia em uma função de apoio, mas acabou enviado à linha de frente. — Eles mentiram para mim e me enviaram para a linha de frente, para um confronto intenso. Não era isso que tinham prometido — alega no vídeo. Ele relatou que estrangeiros seriam tratados como “descartáveis” para suprir as necessidades das tropas locais, citando brasileiros, colombianos, peruanos e argentinos entre os combatentes que estariam nessa situação. Pelo Direito Internacional, estrangeiros recrutados por motivação financeira podem ser enquadrados como mercenários, condição que não lhes garante o mesmo status jurídico de combatentes regulares. Na prática, em caso de captura, eles podem não ser reconhecidos como prisioneiros de guerra e ficam sujeitos à legislação do país que os deteve, além de terem acesso mais restrito à assistência consular.