O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o tema da reforma tributária não é singelo e não será incorporado sem esforço de adaptação. Durigan, que participa do evento "Caminhos do Brasil", organizado pelos jornais Valor e O Globo e pela rádio CBN, no Rio de Janeiro, ressaltou que a reforma aprovada foi a "possível do ponto de vista político" e foi bem feita. "Seria melhor para a economia fazer algo mais ousado, direto, com menos exceção, mas isso não seria possível. O país teria caído em armadilha", disse Durigan. O ministro elencou quatro grandes riscos ainda existentes. O primeiro, segundo ele, é a tentativa de revisitar o acordo político feito para aprovar a matéria, que tramitou por décadas no Congresso. "Acho que grande risco é revisitar [o texto aprovado], seria um erro. Nosso sistema tributário é um dos piores do mundo. Tem que melhorar e não voltar atrás", afirmou. O segundo desafio, frisou, está na votação do Imposto Seletivo. O ministro lembrou que, a partir de 2027, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) deixa de existir e será necessário ter o Imposto Seletivo aprovado. "Sei que é mais difícil discutir temas estruturantes no Congresso [em ano de eleição]", disse. "Tenho ótima relação com o Congresso e por isso vejo como é difícil [a aprovação em ano de eleição", acrescentou. Segundo o ministro, para evitar uma "guerra política", ele vai dar início a conversas com setores mais impactados pelo Imposto Seletivo. O terceiro desafio apontado por Durigan é o tecnológico. Segundo ele, o governo federal tem que entregar um "sistema organizado e azeitado" com Estados e municípios. Por fim, apontou o risco do conflito federativo e a transição do ICMS nos Estados como outros desafios no caminho. "Existe uma guerra fiscal nos Estados muito forte", disse. Caminhos do Brasil; Durigan — Foto: Reprodução/Youtube Valor