0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Carne: é possível esperar um alívio nos preços da carne ao longo do terceiro trimestre, tanto pelo aumento da concorrência entre as proteínas quanto pela impossibilidade de manter gado por mais tempo — Foto: Júlia Aguiar/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/07/2026 - 10:15 Pecuaristas enfrentam desafio: manter preços e atender normas da UE A estratégia de pecuaristas de adiar o abate de gado para manter preços da carne tem limites, com previsão de queda no terceiro trimestre pela alta oferta interna e concorrência de proteínas mais baratas. Além disso, a UE ameaça restringir importações brasileiras devido ao uso de antibióticos proibidos. O Brasil precisa comprovar a ausência dessas substâncias, o que é possível com tecnologias de rastreabilidade. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A estratégia dos pecuaristas de adiar o abate para sustentar os preços da carne tem limites. O mercado doméstico é o principal destino da produção brasileira, seguido pelo mercado chinês. Em algum momento, mantido o esgotamento da cota de exportação para a China acabará resultando em maior oferta no mercado interno e, consequentemente, em queda dos preços. Os nomes confirmados na audiência do USTR sobre o tarifaço nos EUA. Veja a listaAlta dos alimentos perde intensidade no IPC-S de junho, mas inflação ainda exige atenção, diz economista Isso porque não é possível postergar o abate indefinidamente, seja para o fim deste ano ou para 2027. Em algum momento do terceiro trimestre, esse gado terá de ser abatido, ampliando a oferta de carne no mercado nacional. Além disso, é preciso lembrar que as proteínas concorrem entre si. Quando o consumidor troca a carne bovina por opções mais baratas, como frango ou ovos, os pecuaristas tendem a aumentar a oferta para reduzir os preços e evitar perda de mercado. Por isso, é plausível esperar um alívio nos preços da carne ao longo do terceiro trimestre, tanto pelo aumento da concorrência entre as proteínas quanto pela impossibilidade de manter o gado por mais tempo no pasto. Nesse cenário, há ainda um fator externo que vai além da cota de importação chinesa. A União Europeia ameaça restringir as importações de carne brasileira por causa do uso de antibióticos proibidos para estimular o crescimento dos animais. O Brasil terá de oferecer garantias rigorosas de que essas substâncias, vetadas no bloco europeu, não são utilizadas em nenhuma etapa do ciclo de vida do rebanho. Os líderes do agronegócio demonstram confiança na atuação da diplomacia brasileira, e é importante que esse trabalho continue. Mas os pecuaristas também precisam fazer a sua parte. O que a União Europeia exige são evidências de que os produtos proibidos não são utilizados. E isso é plenamente possível de comprovar. O agronegócio brasileiro domina tecnologias de rastreabilidade capazes de fornecer essas garantias. Paraguai e Uruguai já apresentaram esse tipo de comprovação. A pergunta, portanto, é: por que os pecuaristas brasileiros ainda não conseguiram fazer o mesmo? Até setembro ainda há tempo para resolver essa questão, mas não há razão para adiar o envio das informações exigidas, já que pecuaristas e governo têm afirmado que essas substâncias não são utilizadas no rebanho brasileiro.