Alta exportação fortalece pecuária, mas custos de produção podem pressionar mercado interno Gado em uma fazenda em Paulínia, no estado de São Paulo — Foto: Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/05/2026 - 11:51 Exportações de carne bovina para EUA crescem, mas custos preocupam mercado interno As exportações de carne bovina brasileira para os EUA estão em alta, fortalecendo a pecuária local e gerando receitas significativas. Contudo, o aumento dos custos de produção pode pressionar os preços no mercado interno. Em 2026, espera-se um crescimento de 30% no volume de exportações, apesar do ciclo de baixa pecuária e do aumento de insumos, que podem elevar os preços para os consumidores brasileiros. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os resultados são incontestes. A expansão das exportações brasileiras de carne bovina aos Estados Unidos gera receitas em divisas na balança comercial, valoriza a arroba do boi gordo, eleva padrões de qualidade dos frigoríficos nacionais e fortalece a imagem da pecuária nacional. Mas a expectativa, conforme admitem empresários e analistas do setor, é que dificuldades com o aumento dos custos de produção, especialmente insumos, fretes e combustíveis, no ciclo atual de baixa pecuária, possam pressionar e elevar os preços para consumidores brasileiros. Para os produtores de carne bovina, em 2025, mesmo com as tarifas de mais de 50% impostas pelo governo de Donald Trump, que vigoraram por cerca de três meses, o balanço comercial foi realmente muito positivo. As exportações da proteína para os EUA atingiram um total de US$ 1,6 bilhão (358,3 mil toneladas), contra US$ 1,3 bilhão (303,1 mil toneladas) registradas em 2024, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). — Os EUA ganharam muita relevância em nossa pauta de exportação, e chegaram a representar mais de 12% do total exportado pelo Brasil no ano passado — diz Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, que reúne 47 empresas do setor no país. Em 2026, os números mostram que o Brasil continua em um patamar elevado de exportação para os EUA. Nos primeiros quatro meses do ano, o país exportou US$ 814,6 milhões — alta de 36,8% em relação ao período em 2025. — Esse desempenho se deve principalmente ao momento do ciclo pecuário americano — explica Perosa. — Os EUA estão com o menor nível de rebanho dos últimos 80 anos, o que reduz a oferta interna e aumenta a necessidade de importação. Independentemente da questão tarifária, existe uma demanda estrutural por carne bovina no mercado americano que precisa ser atendida. Carne bovina brasileira ganha espaço nos EUA — Foto: Editoria de Arte Consumo interno Os produtores de carne do estado do Mato Grosso, segundo colocado entre os maiores exportadores brasileiros para os EUA, festejam recordes sucessivos de vendas. — De janeiro a março, o total exportado pelo estado foi de 23,02 mil toneladas [US$ 105,8 milhões], com o preço médio chegando a R$ 4,2 mil por tonelada, o segundo maior valor da série histórica — diz Rodrigo Silva, coordenador de inteligência de mercado do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária. — Isso vem sendo sustentado pela verticalização da produção e por um aumento considerável da produtividade, mesmo numa área menor de pastagem. Segundo os exportadores, a tendência é que a exportação brasileira para o mercado americano continue elevada ao longo deste ano. Apesar da redução do ritmo de crescimento do volume embarcado em março, a expectativa é de maiores aumentos nas receitas, refletindo uma valorização dos preços em dólares da carne brasileira no mercado internacional, avalia Paulo Mustefaga, presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos, que representa frigoríficos e sindicatos da indústria de carne no país. — É possível que as exportações tenham crescimento significativo em 2026, em torno de 30%, em volume, mas em valor pode ser acima de 50%. O avanço das exportações brasileiras de carne, de maneira geral, tem impacto no mercado doméstico. — Mas falta de carne não vai ocorrer — confia Mustefaga. — Estamos num ano de ciclo de baixa pecuária, com redução de oferta, os preços dos insumos sobem bastante, então, os preços devem aumentar para o consumidor doméstico. Para Ronaldo Felix, sócio da consultoria Saygo Comex, a maior preocupação para governo e indústria está em manter o avanço comercial e a competitividade externa sem que isso comprometa o acesso da população à proteína animal historicamente mais consumida no país. — Diversificação de mercados compradores, ganhos de produtividade no campo e atenção ao ciclo pecuário são os instrumentos mais consistentes para que produtores capturem o prêmio externo sem que o consumidor brasileiro pague a conta.