Com oito anos de diferença entre si, dois filmes de seis décadas atrás resumem a reviravolta sofrida pelo ácido lisérgico (LSD) no imaginário cultural e político: "Imagens do Mundo Visionário" (1963), produzido pela farmacêutica Sandoz, e "Acid" (1971), pela divisão educacional da Enciclopédia Britânica com participação da mesma empresa que daria origem à Novartis.
Cheguei a esses documentários psicodélicos por Lea Petrikova, artista e pesquisadora de quem vi um pôster na conferência ICPR26, em junho. Já sabia que a Sandoz distribuía LSD a médicos e psicoterapeutas para uso clínico, sob a marca Delysid, mas não que a firma suíça produzia curtas sobre esse e outros fármacos para apresentação em congressos médicos, por exemplo.
O contraste entre os dois filmes é marcante, a começar pela autoria da primeira obra, encomendada a Henri Michaux (1899-1984). O escritor e pintor belgo-francês voltado a questões místicas e viagens reais ou oníricas, assim como Aldous Huxley, vinha realizando experiências com o psicodélico mescalina, tema de seu livro "Milagre Miserável" (1956).
Michaux aceitou o convite da farmacêutica para tentar captar em filme os efeitos subjetivos da mescalina. A fita de 34 minutos começa com o poeta explicando por mais de dois minutos a (quase) impossibilidade de reproduzir a experiência mental em imagens, que precisariam ser mais coloridas, mais rápidas, mais agressivas...







