Sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI) antecipada ao GLOBO mostra que cardápio de opções consideradas pelas empresas é bastante variado e maioria deve manter planos de investimentos, caso PEC seja aprovada 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ricardo Alban, da CNI, e Paulo Skaf, Fiesp, após reunião com Davi Alcolumbre sobre a PEC do fim da escala 6x1 — Foto: Lula Marques/Agência Brasil RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 01/07/2026 - 19:35 Indústrias planejam repassar custos com jornada reduzida ao consumidor A sondagem da CNI revela que, com a possível redução da jornada de trabalho e proibição da escala 6x1, a maioria das indústrias brasileiras planeja repassar custos aos consumidores. Automação também é uma estratégia chave, especialmente entre grandes empresas. Mudanças podem afetar investimentos, com 54% das empresas mantendo planos, enquanto 46% revisariam. Discussão avança no Senado, com pressão para votação rápida antes das eleições. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A indústria brasileira já mapeia as estratégias para lidar com o aumento de custos com a eventual redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e a proibição da escala 6x1. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) antecipado ao GLOBO mostra que o cardápio é bastante variado, mas a principal resposta das empresas deve ser o repasse dos custos aos consumidores. A estratégia foi apontada por 51% das indústrias consultadas, com maior destaque para as empresas de maior porte. A segunda opção mais citada foi o aumento dos investimentos em tecnologia de automação, de forma a reduzir a necessidade de pessoas. Foram 41% das respostas, com liderança mais pronunciada das indústrias de grande porte. Essa estratégia de adaptação é um dos efeitos que o próprio governo espera que aconteça e considera virtuoso, por implicar um aumento da produtividade na economia brasileira. A sondagem da CNI mostra que a redução de reajustes salariais ou de promoções foi citada por 34% das empresas como estratégia para lidar com as mudanças na escala e jornada de trabalho. Com quase o mesmo índice, 33% das indústrias consideram aumentar o quadro de empregados para manter volume de produção. O tema está em discussão agora no Senado, após aprovação na Câmara dos Deputados. O governo pressiona o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, a colocar o tema em votação o mais rápido possível porque quer parte dos efeitos ainda esse ano, antes das eleições. Ontem, foi realizada uma audiência pública sobre o tema no Senado. Com menções entre 20 e 30%, as empresas consultadas pela CNI apontaram ainda que recorreriam a mais horas extras (29%) e aumentariam a contratação de prestadores de serviços (24%). Enquanto 7% das empresas afirmam que poderiam transferir suas operações para outros países caso as mudanças elevem o custo do trabalho no Brasil, outras 6% disseram que não devem ser impactadas pelas mudanças. A redução efetiva do quadro de empregados foi citada por 12%. A sondagem também aponta efeitos sobre os planos de investimentos. Segundo a CNI, 46% das indústrias afirmam que as mudanças na jornada e escala fariam com que revisassem seus atuais planos de investimento e expansão e 54% manteriam os projetos. O levantamento mostra ainda que o risco de cancelamento ou adiamento de investimentos é maior entre as empresas de menor porte (56%), enquanto entre as grandes 60% disseram que manterão seus planos de ampliar capacidade produtiva. O estudo foi realizado entre os dias 2 e 11 de março de 2026 e ouviu 1.664 empresas da indústria extrativa, de transformação e da construção. O documento foi concluído em 30 de junho. As empresas podiam sinalizar mais de uma estratégia na resposta ao questionário.