Se as estatísticas divulgadas pelo grupo ultratradicionalista católico Fraternidade São Pio 10º estiverem corretas, os 600 mil fiéis que frequentariam suas missas com regularidade equivalem a uma única diocese (a área de jurisdição de um bispo) de tamanho médio no Brasil —só o território do estado de São Paulo tem mais de 30 dioceses.
Assim, tanto a consagração simultânea de quatro novos bispos para a fraternidade quanto a ideia de que seu crescimento à revelia do Vaticano representaria uma ameaça contra a unidade do catolicismo parecem, à primeira vista, bastante superdimensionados. A rigor, aliás, o episódio da escolha dos bispos contra ordens expressas do papa tampouco é novo.Afinal de contas, foi a mesma situação —no mesmo lugar, Écône, na Suíça, e com o mesmo número de prelados envolvidos— que motivou a primeira excomunhão da chefia do movimento, a começar por seu fundador, o arcebispo francês Marcel Lefebvre, em 1988, durante o papado de João Paulo 2º.
Na época, participou da cerimônia o bispo aposentado da diocese de Campos (RJ), Antônio de Castro Mayer, que também morreu em 1991. Depois de décadas de conversas infrutíferas entre os dois lados, houve apenas um retorno ao status quo do fim do século 20.














