Além da excomunhão dos bispos, o Vaticano advertiu os católicos de todo o mundo que a Fraternidade São Pio X agora celebra sacramentos de forma ilícita e não pode oficiar casamentos nem ouvir confissões com validade perante a Igreja Católica. A Santa Sé também afirmou que os padres e fiéis leigos que aderirem ao grupo ultraconservador dissidente passam a ser considerados em situação de cisma e excomungados. Antes da ordenação, Leão XIV havia feito um último apelo ao superior da Fraternidade São Pio X, o padre Davide Pagliarani, para que desistisse da cerimônia. Em carta divulgada pelo Vaticano, o pontífice pediu que o grupo "renunciasse ao projeto" e alertou para as consequências da decisão. Foram consagrados quatro novos bispos — dois franceses, um norte-americano e um suíço — diante de milhares de fiéis reunidos na sede da fraternidade. Consagração cismática de bispos realizada pela Sociedade de São Pio X (SSPX), grupo católico tradicionalista, em Ecône, no oeste da Suíça, em 1º de julho de 2026. — Foto: AFP Segundo a Santa Sé, a ordenação de bispos sem o consentimento do papa rompe a comunhão com a Igreja Católica. Com a decisão anunciada nesta quinta, o Vaticano afirma que os bispos da fraternidade estão excomungados, que os sacramentos celebrados por eles são inválidos e que padres e leigos que aderirem ao grupo também passam a ser considerados em cisma. Grupo rejeita reformas da Igreja A Fraternidade São Pio X reúne católicos tradicionalistas que defendem a reversão de mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II. Entre as principais bandeiras do grupo estão o retorno das missas em latim, celebrações com o padre voltado para o altar — de costas para os fiéis — e a rejeição de parte das reformas litúrgicas e pastorais adotadas pela Igreja nas últimas décadas. A decisão do Vaticano marca uma nova escalada na crise entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X, considerada o maior grupo dissidente do catolicismo tradicionalista. Consagração cismática de bispos realizada pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) em Ecône, no oeste da Suíça, em 1º de julho de 2026 — Foto: FABRICE COFFRINI / AFP O que defende a Fraternidade São Pio X? Fundada em 1970 pelo bispo francês Marcel Lefebvre, a Fraternidade São Pio X surgiu em oposição às mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965. O concílio marcou uma das maiores reformas da história recente da Igreja Católica. Entre as mudanças, as missas deixaram de ser obrigatoriamente celebradas em latim e passaram a ser realizadas na língua de cada país. Os padres também passaram a celebrar voltados para os fiéis, e a Igreja ampliou o diálogo com outras religiões. A fraternidade, porém, considera que essas reformas descaracterizaram a tradição católica. O grupo defende a preservação da liturgia anterior ao Concílio Vaticano II e uma interpretação mais rígida da doutrina da Igreja. Esta fotografia mostra a tonsura do bispo francês consagrado Michel Poinsinet de Sivry durante a consagração cismática de bispos pela Sociedade de São Pio X (SSPX), organização católica tradicionalista, em Ecône, no oeste da Suíça, em 1º de julho de 2026. — Foto: FABRICE COFFRINI / AFP Um conflito que atravessa décadas O confronto entre a Fraternidade São Pio X e o Vaticano não começou agora. Em 1988, o fundador da comunidade também ordenou quatro bispos sem autorização do então papa João Paulo II, apesar de um apelo para que desistisse da decisão. Na época, a ordenação levou à excomunhão dos envolvidos. A punição foi suspensa em 2009 pelo papa Bento XVI, em uma tentativa de reaproximação, mas a situação canônica da fraternidade permaneceu irregular e as divergências nunca foram totalmente resolvidas. Agora, com a ordenação de quatro novos bispos, o grupo volta a desafiar diretamente a autoridade do Vaticano, reabrindo um impasse que atravessa seis pontificados e coloca Leão XIV diante de uma das primeiras grandes crises de seu governo. Grupo ultraconservador desafia Leão XIV e aprofunda crise com o Vaticano — Foto: Reprodução/GloboNews
Ultraconservadores x Leão XIV: Vaticano declara Sociedade São Pio X em cisma e excomunga bispos | G1
Comunidade católica, na Suíça, desafia papado com pautas ultraconservadoras. Fraternidade São Pio X defende retorno das missas em latim e celebrações com padre de costas para fiéis.











