Grupo tradicionalista declarado em 'cisma' por Roma contesta punição aplicada após ordenações realizadas sem autorização do Papa Leão XIV 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Os novos bispos nomeados pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X nesta quarta-feira, a contragosto do Vaticano — Foto: Fabrice Coffrini/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 15/07/2026 - 12:52 FSSPX Apela ao Vaticano para Revogar Excomunhões de Bispos em Conflito com Roma A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) apelou ao Vaticano contra a excomunhão de seis bispos, declarados em "cisma" após ordenações sem autorização papal. Fundada por Marcel Lefebvre, a FSSPX contesta as reformas do Concílio Vaticano II e busca revogar a punição. No Brasil, a Arquidiocese de Brasília excomungou um padre associado ao grupo, intensificando o conflito com Roma. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) apresentou um recurso ao Vaticano contra a excomunhão de seis bispos que haviam sido consagrados sem a autorização do Papa Leão XIV. No dia 2 de julho, um dia após a ordenação de quatro novos bispos pela fraternidade, o Vaticano confirmou a excomunhão dos seis prelados e declarou essa comunidade tradicionalista em "cisma" com Roma. A fraternidade considerou a decisão "injusta e inválida" e reiterou sua devoção à Igreja Católica. Fundada em 1970 pelo bispo francês Marcel Lefebvre (1905-1991), a comunidade reúne fiéis que seguem uma interpretação rigorosa da tradição doutrinária e litúrgica da Igreja. Em comunicado, a fraternidade anunciou ter "apresentado em 11 de julho um recurso preliminar" ao Dicastério para a Doutrina da Fé do Vaticano, órgão responsável pelas sanções. "Esse procedimento, que constitui uma etapa prévia à eventual apresentação de um recurso hierárquico, tem o efeito de suspender a execução do decreto", afirma o texto. "Com esse recurso, a Fraternidade pretende exercer o direito que a Igreja reconhece a toda pessoa que se considere prejudicada por um ato administrativo." No decreto publicado pelo Dicastério para a Doutrina da Fé em 2 de julho, a Santa Sé afirmou que os ministros ordenados vinculados ao grupo estão em situação de cisma e advertiu que os fiéis leigos que aderirem à fraternidade poderão ser considerados "cismáticos e excomungados". A medida atingiu os quatro bispos ordenados pela fraternidade — os franceses Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier, o americano Michael Goldade e o suíço Pascal Schreiber —, além dos bispos Alfonso de Galarreta, da Espanha, e Bernard Fellay, da Suíça, que participaram das consagrações sem autorização pontifícia. A ordenação de bispos sem autorização do Papa é uma prática que o Vaticano considera um ato de insubordinação direta à autoridade pontifícia. Segundo a legislação da Igreja, a consagração episcopal sem mandato papal acarreta excomunhão automática dos bispos envolvidos e pode ser caracterizada como um "ato cismático". A fraternidade argumenta que as ordenações foram realizadas por "necessidade", alegando que dispõe de poucos bispos em atividade para atender à expansão de suas comunidades. No Brasil, a Arquidiocese de Brasília anunciou, na última sexta-feira, a excomunhão do padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa, de 47 anos, por sua adesão à Fraternidade São Pio X. Segundo a Igreja, a sanção foi aplicada após sua adesão ao grupo, ao qual também está vinculada a Capela Santo Atanásio, em Ceilândia (DF), considerada em situação irregular perante a Igreja Católica. O sacerdote contestou a decisão e afirmou que continuará celebrando missas, além de rejeitar a classificação de cisma atribuída pelo Vaticano ao grupo tradicionalista. Histórico de confrontos com Roma A comunidade, que reúne cerca de 600 mil fiéis em todo o mundo e exerce influência em setores conservadores do catolicismo, já havia entrado em choque com Roma em 1988, quando Marcel Lefebvre ordenou quatro bispos sem autorização do Papa João Paulo II. O episódio levou à excomunhão dos envolvidos e à declaração de cisma. Em 2009, porém, o Papa Bento XVI revogou as excomunhões numa tentativa de reconciliação com o grupo. Seus integrantes rejeitam as mudanças promovidas pela Igreja Católica desde o Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965. Entre as reformas contestadas pelo grupo estão a ampliação do diálogo com outras religiões e denominações cristãs, a defesa da liberdade religiosa e alterações litúrgicas que permitiram a celebração das missas nos idiomas locais e com o sacerdote voltado para os fiéis. A comunidade também defende um modelo de sociedade patriarcal e um ideal de Estado teocrático. A fraternidade segue o rito "tridentino", caracterizado pelo uso do latim e por uma liturgia altamente codificada. Nas missas, o sacerdote celebra voltado para o altar, de costas para os fiéis. (Com AFP)