“A maioria dos setores apresenta números negativos [de emprego], o que não chega a ser uma surpresa, porque a economia vem operando com taxas de juros muito elevadas”, disse João França, pesquisador do FGV Ibre Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, divulgados nesta terça-feira (30) evidenciam que o mercado de trabalho começou a sentir a forte política de contração monetária do Banco Central (BC) para convergir a inflação para a meta, de acordo com João Mário de França, pesquisador do FGV Ibre. O economista analisa que, apesar do saldo positivo, o mês de abril não apresentou bons resultados, principalmente se comparado ao mesmo período do ano passado. Em maio de 2025, houve a abertura de 153.108 vagas, segundo dados com ajustes, uma diferença de mais de 80 mil empregos se comparado com o valor registrado no mesmo mês deste ano, que ficou em 72.960. “Na comparação interanual, a maioria dos setores apresenta números negativos, o que não chega a ser uma surpresa, porque a economia brasileira vem operando com taxas de juros muito elevadas. Uma hora o mercado de trabalho ia sentir seus efeitos”, disse. Além disso, o resultado para o mês é o pior desde maio de 2020. Levando em conta o acumulado até maio, quase todos os setores variaram negativamente em relação ao mesmo período do ano passado. O comércio lidera, com queda 157,1%, seguido da agropecuária (-79,1%), indústria (-38.3%) e serviços (-13%). França destaca que tanto o ritmo de empregos como a diminuição do salário médio de admissão (R$ 2.384,10), que apresentou uma queda de R$ 17,97 em relação a abril, são fatores importantes para que o BC avalie a continuidade, ou não, do ciclo de queda de juros. ”Por outro lado, tem outras ações ocorrendo por parte do Governo Federal de impulso fiscal, como a expansão do Desenrola e outras políticas de concessão de créditos e financiamento para táxi ou Uber renovarem a frota”, ressalta. O economista afirma que esse cenário faz com que as políticas de incremento fiscal do governo operem no sentido contrário ao da política monetária. O levantamento do mês de maio também destacou o ganho líquido de 33.478 novos postos de trabalho intermitente, de aprendizes, temporários, contratados por Cadastro de Atividades Econômicas da Pessoa Física ou com carga horária de até 30 horas. O volume de contratações deste tipo representou quase a metade do resultado total. “Esse cenário tem a ver com o próprio setor público. No começo do ano existe a contratação de temporários em saúde e educação, o que diminui ao longo do ano”, acrescenta França. Vendedor arruma peça em loja; comércio liderou a queda de vagas abertas em maio — Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil