Governo brasileiro planeja usar expertise do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e experiência com enchentes no Rio Grande do Sul para estruturar, de forma técnica, ajuda ao país Prédio danificado por terremoto La Guaira, região mais atingida na Venezuela — Foto: AP/Matias Delacroix Em missão oficial a Caracas, o ministro da Defesa, José Múcio, afirmou, nesta terça-feira (30), que o governo brasileiro busca estruturar uma assistência humanitária que não seja apenas "episódica" para a Venezuela. País foi duramente atingido por terremotos, contabilizando centenas de mortos, feridos e desaparecidos. “Viemos aqui dizer que nós não queremos que a nossa ajuda seja episódica”, disse Múcio a jornalistas, após se reunir com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. “Estamos trazendo absoluta solidariedade, o povo brasileiro e o povo venezuelano e, especialmente, o meu presidente [Lula da Silva] é muito amigo da Venezuela. Não é um problema desses [desastre] que nos faz mais amigos. Nós somos definitivamente amigos”, acrescentou. A comitiva sinalizou a disposição do Brasil em colaborar com a reconstrução habitacional do país vizinho, embora planos definitivos ainda dependam de diretrizes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e avaliações técnicas. Também estiveram em Caracas a vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal, Inês da Silva Magalhães, e o secretário de Habitação do Ministério das Cidades, Augusto Henrique Alves Rabelo. "Está aqui Ministério das Cidades, está aqui Caixa Econômica. Não precisa dizer que nós estamos tratando também da reconstrução, mas evidentemente nós não podemos querer que a Venezuela já nos diga hoje o que é que precisa primeiro”, declarou. Até o momento, a ajuda brasileira concentra-se na fase emergencial, com o envio do quinto voo de uma aeronave transportando mantimentos e a ampliação de um hospital de campanha da Marinha do Brasil, a partir desta quarta-feira (1º), com a chegada de mais dois módulos. "Não houve pedido específico [por parte da Venezuela] desta primeira conversa, nós vamos voltar aqui. Pedimos que selecionassem o que estão precisando”, afirmou. Segundo Múcio, a intenção é organizar o apoio de forma estratégica para evitar superposição de esforços, articulando, inclusive, uma rede de solidariedade continental durante o próximo encontro de secretários de Defesa da América Latina, em Cusco. “A gente precisa separar muito o que é emergência e quais são as providências posteriores. Agora tá um clima de emoção, todos querem ajudar. Precisamos até dar ordem à ajuda, à solidariedade”, enfatizou. Apesar do aceno à reconstrução, o ministro da Defesa brasileiro ressaltou que a definição de projetos de infraestrutura e moradia ocorrerá em um segundo momento, uma vez que a prioridade atual das autoridades venezuelanas continua sendo o resgate de vítimas e a identificação de terrenos seguros para construção de novas moradias. O governo brasileiro planeja utilizar a expertise do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e a experiência com as enchentes no Rio Grande do Sul para estruturar essa futura cooperação técnica com a Venezuela.