Ministro da Defesa, José Múcio (à dir.) e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez (ao centro) — Foto: SEAUD/SECOM Em missão oficial a Caracas, o ministro da Defesa, José Múcio, afirmou ontem que o governo brasileiro busca estruturar uma assistência humanitária que não seja apenas “episódica” para a Venezuela, duramente atingida por terremotos há uma semana. Ao mesmo tempo, o governo venezuelano atualizava o número oficial de mortos para 1.943 e as equipes de resgate corriam contra o tempo para tentar encontrar sobreviventes em meio aos escombros. Estimativas avalizadas pela ONU apontam que até 50 mil pessoas estão desaparecidas desde os tremores. “Viemos aqui dizer que nós não queremos que a nossa ajuda seja episódica”, disse Múcio a jornalistas após se reunir com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. “Estamos trazendo absoluta solidariedade, o povo brasileiro e o povo venezuelano e, especialmente, o meu presidente [Lula] é muito amigo da Venezuela. Não é um problema desses [terremotos] que nos faz mais amigos. Nós somos definitivamente amigos”, acrescentou. A comitiva sinalizou a disposição do Brasil em colaborar com a reconstrução habitacional do país vizinho, embora planos definitivos ainda dependam de diretrizes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e avaliações técnicas. Também estiveram em Caracas a vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal, Inês da Silva Magalhães, e o secretário de Habitação do Ministério das Cidades, Augusto Henrique Alves Rabelo. “Está aqui Ministério das Cidades, está aqui Caixa Econômica. Não precisa dizer que nós estamos tratando também da reconstrução, mas evidentemente nós não podemos querer que a Venezuela já nos diga hoje o que é que precisa primeiro”, declarou. Até o momento, a ajuda brasileira concentra-se na fase emergencial, com o envio do quinto voo de uma aeronave transportando mantimentos e a ampliação de um hospital de campanha da Marinha do Brasil, a partir de amanhã, com a chegada de mais dois módulos. “Não houve pedido específico [por parte da Venezuela] desta primeira conversa, nós vamos voltar aqui. Pedimos que selecionassem o que estão precisando”, afirmou. Segundo Múcio, a intenção é organizar o apoio de forma estratégica para evitar superposição de esforços, articulando inclusive uma rede de solidariedade continental durante o próximo encontro de secretários de Defesa da América Latina em Cusco. “A gente precisa separar muito o que é emergência e quais são as providências posteriores. Agora tá um clima de emoção, todos querem ajudar. Precisamos até dar ordem à ajuda, à solidariedade”, enfatizou. Apesar do aceno à reconstrução, o ministro da Defesa brasileiro ressaltou que a definição de projetos de infraestrutura e moradia ocorrerá em um segundo momento, uma vez que a prioridade atual das autoridades venezuelanas continua sendo o resgate de vítimas e a identificação de terrenos seguros para construção de novas moradias. O governo brasileiro planeja utilizar a expertise do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e a experiência com as enchentes no Rio Grande do Sul para estruturar essa futura cooperação técnica com a Venezuela. Equipes de resgate do Equador e dos EUA interromperam as operações na madrugada de ontem em La Guaira - a região mais atingida pelos terremotos -, após mais de 40 horas de trabalho, quando deixaram de receber respostas de uma mãe e seus três filhos presos sob um prédio de nove andares. “No fim das contas, acreditamos que os dias já se passaram e que o que encontraremos agora é a morte”, disse o major Jorge Montanero, líder da equipe EQ11 de Guayaquil, localizada na costa do Pacífico do Equador. (Com agências internacionais)