Brasil e comunidade internacional devem prestar todo tipo de ajuda neste momento de apreensão e dor 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Moradores procuram sobreviventes de terremoto e tentam recuperar pertences em Catia La Mar, no estado de La Guaira, na Venezuela — Foto: Federico Parra / AFP Um Embraer KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira decolou nesta sexta-feira de Guarulhos (SP) com destino à Venezuela, transportando equipes especializadas e 9 toneladas de equipamentos para auxiliar em buscas e em cuidados com as vítimas dos dois terremotos que transformaram o norte do país num cenário de devastação e morte. Outro voo, previsto para hoje, transportará um hospital de campanha e medicamentos. O governo brasileiro e a comunidade internacional devem prestar todo tipo de ajuda para socorrer os venezuelanos neste momento de apreensão e dor. É hora de apoio e solidariedade não apenas de governos, mas também da população. As vítimas fatais têm sido contadas às centenas (incluindo brasileiros), mas parece evidente que há muito mais gente sob os escombros. São mais de 50 mil os desaparecidos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estima haver 27% de chance de o total de mortos ficar entre mil e 10 mil, e 44% entre mais de 10 mil e 100 mil. As próximas horas e dias serão uma corrida contra o tempo para identificar quem precisa ser resgatado e tentar salvar o maior número de vidas possível. Há feridos à espera de ajuda e um longo trabalho de reconstrução. Após o resgate, será hora de tentar reparar prejuízos estimados entre 2% e 10% do PIB venezuelano, cerca de US$ 111 bilhões. O primeiro tremor teve como epicentro San Felipe, cidade de 220 mil habitantes próxima a Caracas, e magnitude de 7,2. Menos de um minuto depois, o segundo chegou a 7,5, maior intensidade registrada desde 1900. O atrito da placa tectônica do Caribe com a sul-americana ocorreu a pequena profundidade, tornando mais forte o impacto. Somente na cidade de La Guaira, mais de cem construções vieram abaixo. Em toda a região atingida, mais que o dobro disso. Propensa a tremores, a área próxima ao epicentro registrou sete terremotos de magnitude superior a 6 no século passado. O desastre expôs a falta de máquinas e equipamentos para retirar quem ficou preso debaixo de estruturas de concreto. Desgraçadamente para os venezuelanos, esse não é o único exemplo de negligência do governo chavista, liderado por Delcy Rodríguez desde que Nicolás Maduro, herdeiro de Hugo Chávez, foi capturado pelos americanos. Embora haja casas e edifícios resistentes a terremotos, a maioria das estruturas é vulnerável. A legislação sobre construção se tornou inócua, pois o chavismo disseminou a corrupção pela sociedade venezuelana. No ranking da Transparência Internacional sobre percepção de corrupção com 181 países, a Venezuela só está à frente da Somália e do Sudão do Sul. Há várias maneiras de descrever o caos e o flagelo imposto aos venezuelanos. A mais eloquente é a crise humanitária. Entre 2013 e 2021, o PIB caiu 75%, e a miséria disparou. Desde 2015, um em quatro venezuelanos saiu do país em busca de vida melhor. Nunca antes na História da América Latina fora visto tamanho deslocamento, de 7,9 milhões. A tragédia não tem como causa uma guerra. Os venezuelanos tomaram a decisão dolorosa e radical de abandonar família e amigos para fugir de um governo corrupto, incompetente e autoritário. Não é possível prever quando haverá terremoto, mas esse mesmo governo é responsável pela omissão e pela leniência com construções frágeis e irregulares que vieram abaixo gerando tanta dor.
Tragédia na Venezuela impõe solidariedade
Brasil e comunidade internacional devem prestar todo tipo de ajuda neste momento de apreensão e dor














