Presidente do PL, Valdemar Costa Neto deve conversar com ex-primeira-dama, nesta terça-feira (30), para tentar apaziguar o imbróglio Tensões entre Michelle e Flávio Bolsonaro continuam a preocupar campanha do PL — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo - 7/10/2025 A crise na família Bolsonaro ganhou novos desdobramentos nesse início de semana, após o acirramento das tensões entre a ex-primeira dama Michelle e o pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio, no fim da semana passada. O filho mais velho de Jair Bolsonaro reforçou, nesta segunda-feira (29), acenos ao eleitorado feminino em transmissão publicada antes do jogo do Brasil contra o Japão e realizada a partir de Buenos Aires, na Argentina, onde participou de reunião com o presidente do país vizinho, Javier Milei. O gesto ocorre depois de Michelle ter deixado de seguir os enteados Eduardo, Carlos e Renan nas redes sociais — ela continua seguindo Flávio. A decisão foi interpretada como uma enfatização do afastamento. Paralelamente, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, deve conversar com Michelle nesta terça-feira (30) para tentar apaziguar o imbróglio. Na transmissão, Flávio buscou afastar os efeitos negativos da crise na pré-campanha e passar uma imagem de atenção com a pauta feminina. “A minha preocupação é com as mulheres. As mulheres que sustentam mais de 70% dos lares brasileiros”, declarou. Segundo ele, a pauta feminina “não é uma pauta de ideologia, é uma pauta de economia”. “As mulheres só querem ter autonomia financeira, querem sustentar os seus lares, querem garantir que não vai faltar nada pros seus filhos”, disse o senador. Rusgas Os atritos entre os filhos de Jair e Michelle não são uma novidade, mas ganharam novos contornos após a divulgação, na semana passada, de um vídeo nas redes sociais da ex-primeira-dama, em que ela afirma ter sido desrespeitada pelo enteado durante uma conversa por telefone. Como resposta, Flávio divulgou um vídeo em que pede desculpas e afirma que em nenhum momento ofendeu ou teve a intenção de ofender Michelle. O vídeo ajudou a escalar a crise e marcou mais um capítulo da guerra aberta entre os dois nas redes sociais. O pano de fundo da confusão é a construção das alianças e palanques estaduais do partido. Michelle tem reclamado de não ser ouvida nas definições das vagas nas composições majoritárias. Em meio à teia de imbróglios na família Bolsonaro, Costa Neto deve buscar colocar panos quentes na situação e encontrar uma forma de integrar a ex-primeira-dama à campanha. Aliados de Flávio Bolsonaro, contudo, enxergam pouca margem de manobra para que os desejos de Michelle sejam contemplados. Já aliados de Michelle mantêm esperanças de que o encontro seja resolutivo. “Estou aguardando que, na reunião, tudo seja resolvido”, disse ao Valor a senadora Damares Alves, uma das principais aliadas de Michelle. A motivação do último episódio da disputa entre Flávio e Michelle foi o cenário estadual no Ceará. Michelle é crítica da aliança do PL com Ciro Gomes no Estado e defende lançar Priscilla Costa ao Senado, atual vice-presidente do PL Mulher. Enquanto isso, o diretório estadual da sigla quer lançar Alcides Fernandes à vaga de senador na chapa de Ciro. Em meio às especulações sobre o espaço da presidente do PL Mulher na campanha presidencial do partido, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, reforça que a condução política seguirá sob comando de Valdemar, bem como a decisão final acerca das composições estaduais. Ao Valor, Marinho afirmou que Michelle “é importante para o partido”, mas as articulações dos palanques têm sido costuradas “com muita conversa” e “ouvindo a todos”. “Não posso dizer o que Valdemar falará a Michelle, mas tenho certeza de que ele irá conduzir da melhor forma possível”, afirmou. Segundo Marinho, além da conversa prevista entre Valdemar e Michelle, já havia uma reunião da campanha de Flávio com quadros do PL Mulher convocada para a próxima quarta-feira (31) – antes mesmo da divulgação do vídeo em que Michelle expôs rusgas na relação com Flávio –, e a ex-primeira-dama, de acordo com ele, será “muito bem-vinda” caso decida participar. ‘O presidente Valdemar mantém uma excelente relação com a ex-primeira-dama e conduzirá sua integração à campanha da melhor forma possível”, declarou. Enquanto isso, a construção dos palanques estaduais avança, com apenas cinco ou seis Estados ainda indefinidos, segundo o senador. Quadros de expressão do partido também negam impactos negativos no eleitorado do vídeo divulgado por Michelle e afirmam que os trackings internos indicam empate de Lula e Flávio, em uma trajetória de ascendência em 12 dias – arco que não foi alterado a partir da divulgação do vídeo na última quarta-feira (24). Tanto nomes bolsonaristas ligados a Michelle quanto os mais alinhados a Flávio concordam que a disputa interna precisa ser vencida em prol de um projeto maior de derrotar a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de outubro e apelam para o apaziguamento da situação. O pré-candidato também adotou como campanha a mesma estratégia utilizada pelo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para se comunicar com seus apoiadores e afirmou que, a partir de agora, as “lives” ficarão mais frequentes. Ele deve, inclusive, definir um dia fixo para realizar as transmissões, como fazia seu pai. O objetivo é ter um canal direto de respostas a novos abalos na campanha e estabelecer frequência na comunicação com os eleitores bolsonaristas. Reunião com Milei Flávio Bolsonaro reuniu-se, nesta segunda-feira (29), com o presidente da Argentina, Javier Milei, durante cerca de uma hora na residência oficial do presidente argentino. Segundo ele, os dois tiveram “um papo maravilhoso”. O senador se referiu a Milei como alguém que “nos trata com muito carinho, muito respeito”. De acordo com Flávio, o presidente argentino disse "ter certeza de que a onda azul vai chegar ao Brasil neste ano", em referência ao crescimento de governos de direita, conservadores e liberais na América Latina nas últimas eleições nos países vizinhos. Flávio afirmou a Milei que a eleição brasileira representa “a última peça que falta no mapa da direita na América do Sul”.