Bares e restauranetes representam até 27% do faturamento do setor hoteleiro De olho no avanço da área de alimentos e bebidas, hotéis aproveitam a Copa do Mundo para ampliar receitas com bares e restaurantes, segmento que já representa até 27% do faturamento do setor. Redes como a Accor afirmam que as vendas de alguns bares chegam até a triplicar durante os jogos e reforçaram a programação com experiências temáticas e parcerias comerciais para atrair hóspedes e público externo. Levantamento feito pela consultoria JLL, com apoio do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB) e da Resorts Brasil, mostra que o segmento de alimentos e bebidas é um grande parceiro na geração de receitas. Nos hotéis com diária média abaixo de R$ 740, a categoria representou 19,1% das receitas em 2024. Já nas propriedades com diária média acima deste patamar, a representatividade da divisão de alimentos e bebidas (chamada de A&B) nas receitas foi de 26,9%. Olivier Hick, diretor de operações da Accor Brasil, disse que alguns bares dos hotéis da rede no Brasil chegam a ter um faturamento até três vezes maior durante os jogos. “Imagina que neste ano teremos uma Copa do Mundo com mais de um mês”, disse. A Copa deste ano é a maior da história em número de jogos. Apenas no Brasil, a Accor tem mais de 300 hotéis, figurando como a líder de mercado. Bruno Latini, gerente de A&B da Accor Brasil, disse que o grupo aumentou a aposta neste ano. No Ibis Morumbi, o grupo montou uma arquibancada para que o público possa ver os jogos. Na Copa anterior, o jogo foi apenas transmitido no lobby do hotel. “Como vimos que deu certo, aumentamos a estrutura e estamos lotados”, disse. O público, acrescentou, passou a frequentar os espaços não apenas nos jogos do Brasil. No ano passado, a área de A&B representou mais de 21% da receita total da Accor no Brasil, alcançando mais de R$ 1,2 bilhão em faturamento – em 2024, foi de cerca de R$ 1 bi. Segundo Hick, a aposta é de que em cinco anos a categoria deverá representar entre 30% e 35% do faturamento, com a implementação e expansão dos conceitos gastronômicos nas unidades. Outra empresa atenta ao setor é a tailandesa Minor. Uma das ativações é o Tivoli Fire Up, em São Paulo. Marco Amaral, vice-presidente de operações e desenvolvimento na Europa e na América do Sul da Minor, contou que a Copa é uma oportunidade para que os hotéis maximizem o retorno dos investimentos já feitos. “Em vez de grandes aportes em infraestrutura, priorizamos o aproveitamento de estruturas já existentes. Em São Paulo, o modelo foi sustentado principalmente por parcerias comerciais, nas quais patrocinadores contribuíram com investimentos e ativações. Em Belém, direcionamos recursos para reforço operacional, estrutura de transmissão, comunicação e entretenimento. Já na Praia do Forte, o foco esteve na ambientação e na integração dos espaços de convivência do resort”, disse. Entre as parcerias fechadas estão empresas como Coca-Cola Femsa, Bacardi, Interfood, Odontoprev, Infinox e Ventisol, R1, Solar/Coca-Cola, Diageo e Chandon. Ainda conforme Amaral, a projeção do grupo é de que a Copa colabore para um crescimento entre 12% e 30% no faturamento de A&B, dependendo do perfil e da localização de cada unidade. “A Copa reforça uma tendência que já observamos há alguns anos: os hotéis deixaram de ser apenas locais de hospedagem e passaram a disputar espaço como destinos de lazer, gastronomia e entretenimento”, disse. No Tivoli Mofarrej São Paulo, o segmento de A&B passou de aproximadamente 30% para 45% do faturamento total do hotel ao longo dos últimos anos. “Esse avanço demonstra que a gastronomia deixou de ser apenas um complemento da hospedagem para se tornar uma unidade de negócio estratégica”, disse. No Tivoli Ecoresort Praia do Forte, A&B representa atualmente cerca de 46% da receita total do empreendimento. Já a Atlantica Hospitality International preparou uma série de ações para as propriedades, com a criação de cardápios de boteco, porções especiais e menus de drinks temáticos. “Uma das estratégias centrais foi a formatação de combos promocionais (como petiscos ou pizza combinados com balde de cerveja) para otimizar o consumo, disse Mark Campbell, VP de Produtos e Serviços Técnicos do grupo. Segundo Campbell, a Atlantica espera um incremento no ticket médio por cliente nos dias de jogos da Seleção Brasileira de cerca de 20%, a depender da localização do hotel. No comparativo de junho de 2026 com o mesmo período do ano anterior, os hotéis com perfil voltado para lazer e eventos estimam um crescimento de receita em até 50%. Já os hotéis de perfil estritamente corporativo preveem estabilidade ou um impacto menor, reflexo da desaceleração natural de viagens de negócios em dias de jogos. Globalmente, a patrocinadora da Fifa em hotelaria nesta Copa é a Marriott Bonvoy. No Brasil, uma das principais ativações da marca é no Renaissance São Paulo Hotel. A propriedade fez uma ativação em seu lobby chamada de [A]rena. O espaço conta com um bar dedicado à experiência, que oferece uma carta exclusiva de coquetéis, além de opções gastronômicas. O espaço é aberto ao público durante todos os jogos. Olivier Hick, diretor de operações da Accor Brasi, diz que alguns bares dos hotéis da rede no Brasil chegam a ter um faturamento até três vezes maior durante os jogos. — Foto: Ana Paula Paiva/Valor