Caso o faturamento recorde seja confirmado para o setor, representaria aumento de 15,7% ante ganhos de bares e restaurantes durante o mundial de futebol anterior, em 2022 A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta faturamento recorde de R$ 2,42 bilhões, para setor de bares e restaurantes no país durante o período de Copa do Mundo de Futebol esse ano. Na prática, pontuou a confederação, o fato de os jogos do Brasil na primeira fase do torneio serem noturnos impulsiona clientes ao segmento para assistir as partidas. Caso o faturamento recorde seja confirmado para o setor, representaria aumento de 15,7% ante ganhos de bares e restaurantes na Copa anterior, em 2022, disse ainda a organização em pesquisa sobre o assunto, veiculada nesta quinta-feira (18). No mapeamento sobre o tema, a CNC lembrou que, na primeira fase do torneio, os jogos do Brasil foram marcados para noites de sábado (13 de junho, já realizado), sexta (19 de junho) e quarta-feira (24 de junho). Outras edições da Copa tiveram jogos, majoritariamente, em períodos de manhã e tarde, lembrou a CNC, períodos de menor frequência em bares. O período de Copa do Mundo, historicamente, costuma ser bom para aumento de faturamento em bares e restaurantes, lembrou a organização. Dados da CNC sobre o tema apontam que o volume de receitas dos estabelecimentos, em anos de Mundial, cresce, em média, 5,4% a mais no bimestre junho-julho do que em períodos equivalentes sem torneio. Esse fenômeno ocorre porque a competição atua como catalisador de frequência e elevação do tíquete médio, explicou a confederação. “Um eventual bom desempenho da Seleção Brasileira é um motor interessante para a economia local”, confirmou o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes. Ele comentou ainda que conforme o Brasil avança nas fases do Mundial a tendência é de aumento proporcional na movimentação de clientes. Isso, no entendimento do especialista, consolida setor de alimentação fora do domicílio como um dos grandes pilares de injeção de recursos no varejo durante o evento. Bentes admitiu que o cenário atual, de juros elevados, acabou por inibir outro fenômeno observado em Copas anteriores, no comércio: a de compra de televisores novos para assistir ao torneio. Esse é item de maior valor agregado, normalmente comprado a crédito. No entanto, completou, o fenômeno de juros mais altos não afeta segmento de bares e restaurantes durante a Copa, e permaneceu “blindado” aos efeitos desse fator macroeconômico, avaliou. "O brasileiro, diante do crédito mais caro para o parcelamento de longo prazo, prioriza a experiência imediata de lazer, em vez da compra parcelada de uma televisão, item tradicional para a ocasião”, exemplificou. “O faturamento de R$ 2,42 bilhões no setor de alimentação comprova que a Copa de 2026 será marcada pelo consumo de proximidade e pela valorização da gastronomia como espaço de torcida”, concluiu. O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, concordou. “Além da recuperação da renda em comparação ao pós-pandemia de 2022 e do mercado de trabalho aquecido, o calendário desta edição jogou a favor do comércio”, disse. "Do mesmo modo que o Natal para o comércio e o carnaval para o turismo, a Copa do Mundo dá a chance, a cada quatro anos, de o empresário se planejar e aproveitar a movimentação extra”, resumiu Tadros. — Foto: Hermes de Paula/Agência O Globo