Defesa vai apresentar laudos sobre a saúde de Bolsonaro e minimizar a apreensão de uma arma em nome do ex-presidente durante uma blitz da Polícia Militar (PM) Ministro do STF Alexandre de Moraes — Foto: Luiz Silveira/STF - 6/5/2026 O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), irá se reunir na terça-feira (30) com a defesa de Jair Bolsonaro antes de decidir se renova ou não a domiciliar humanitária do ex-presidente. Em março, Moraes concedeu o benefício por 90 dias, prazo que encerrou na semana passada. A defesa pediu que a domiciliar seja renovada pelo período que o ministro entender adequado. O argumento é que o estado de saúde do ex-presidente segue delicado. Na reunião, a defesa deve reforçar esse ponto e apresentar laudos sobre a saúde de Bolsonaro. Também deve minimizar a apreensão de uma arma em nome do ex-presidente durante uma blitz realizada pela Polícia Militar (PM). Moraes analisa se a arma, que estava com um segurança de Bolsonaro, configura “falta grave” apta a comprometer a domiciliar. Antes de ser mandado para casa por causa de um quadro de broncopneumonia, Bolsonaro estava preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, local que fica dentro do Complexo Penitenciário da Papuda e é conhecido como “Papudinha”. Defesa volta a pedir domiciliar No final de semana, a defesa de Bolsonaro voltou a solicitar a prorrogação da domiciliar, afirmando que Bolsonaro não cometeu desvio grave e que a arma do ex-presidente deixou a residência em que ele vive e está preso para reparos. O objeto foi apreendido em 15 de junho e estava com o sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filha, que atua na segurança do ex-chefe do Executivo. O equipamento foi encontrado no assoalho do carro do militar. Os advogados sustentam que a arma era regularmente registrada e permanecia armazenada na residência de Bolsonaro desde antes de sua condenação e da prisão. Argumentam que o cumprimento da prisão domiciliar não implicou qualquer alteração em relação ao objeto e que Bolsonaro nunca foi informado sobre eventual cassação do registro da arma ou mesmo sobre o início de processo administrativo com essa finalidade. "Não houve ocultação do armamento, adulteração de registro, emprego de expediente destinado a frustrar a fiscalização estatal ou qualquer conduta voltada a impedir a identificação de sua origem ou titularidade. Ao contrário, a propriedade da arma foi imediatamente reconhecida e jamais constituiu circunstância desconhecida ou clandestina", afirmam no documento. De acordo com os advogados, é natural que a arma permanecesse armazenada na residência do proprietário, uma vez que o ordenamento jurídico preservou a validade do registro e não determinou a perda ou apreensão definitiva do bem. "Não seria razoável admitir que o mesmo estado de coisas fosse simultaneamente considerado lícito para fins administrativos e ilícito, por si só, para fins disciplinares, sem que houvesse qualquer determinação judicial específica em sentido contrário." Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado. Ele começou a cumprir pena na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Depois, foi transferido para a Papudinha. Em março, recebeu o benefício de ficar temporariamente em casa enquanto se recuperava de um quadro de broncopneumonia.